No extremo sul de Rondônia, o município de Pimenteiras do Oeste chama atenção não apenas por sua localização estratégica na fronteira com a Bolívia, mas também pelos elevados gastos públicos registrados nos poderes Legislativo e Executivo.
Com pouco mais de 2.300 habitantes, a menor cidade do estado apresenta despesas com diárias e passagens que destoam da realidade econômica enfrentada pela maior parte da população local.
Distante cerca de 860 quilômetros de Porto Velho e aproximadamente 170 quilômetros de Vilhena, Pimenteiras do Oeste surgiu por volta de 1877, às margens do rio Guaporé, a partir da ocupação de grupos de escravizados fugitivos de Vila Bela da Santíssima Trindade, no Mato Grosso.
Mais de um século depois, o município vive um novo capítulo de sua história, agora marcado por números que levantam questionamentos sobre a aplicação dos recursos públicos.
Atualmente, os nove vereadores eleitos para o mandato recebem subsídios que variam entre R$ 6.300,00 e R$ 6.900,00, valor pago ao presidente da Câmara, professor Armindo Leite, do União Brasil. Além do salário, todos os parlamentares recebem auxílio-alimentação no valor de R$ 1.400,00 mensais, benefício que também é concedido aos servidores da Casa.
Os gastos com diárias chamam ainda mais atenção. Somados, os valores pagos aos vereadores chegam a R$ 214.850,00. Quando incluídas as despesas gerais da Câmara, o total sobe para R$ 281.650,00, alcançando R$ 322.394,22 após a soma de R$ 40.744,22 em passagens.
O orçamento repassado pela Prefeitura ao Legislativo foi de R$ 2.855.000,00, montante considerado elevado para um município de porte tão reduzido.
No Executivo, os números também são expressivos. A prefeita Valéria Aparecida gastou R$ 37.100,00 em diárias ao longo de 2025, enquanto o vice-prefeito Rafael da Silva utilizou R$ 36.300,00. Considerando todos os servidores municipais, as despesas com diárias chegam a R$ 316.440,00.
Em uma cidade onde a renda média mensal da população gira em torno de R$ 2 mil, os gastos com viagens oficiais contrastam com a realidade enfrentada pelos moradores. A reportagem da TV Norte Rondônia segue acompanhando de perto os números e as justificativas apresentadas, reforçando a importância da transparência e da fiscalização dos recursos públicos.
Confira a reportagem: