A Câmara Municipal de São Luiz, no Sul de Roraima, aprovou na terça-feira (11) a abertura de um processo de impeachment contra o prefeito Elias Beschorner da Silva, conhecido como Chicão (PP).
A decisão, aprovada por 5 a 4, atendeu a uma denúncia popular de segunda-feira (10) que acusa o gestor de improbidade e infrações político-administrativas.
A denúncia tem como base uma ação do Ministério Público de Contas de Roraima (MPC-RR), que identificou irregularidades em contratos e licitações realizados pela prefeitura.
Durante a sessão, o presidente da Câmara, João Mecânico (PL), anunciou a aprovação do pedido e declarou a abertura oficial do processo de cassação.
Portanto, para conduzir o caso, os vereadores formaram uma comissão processante composta por Elda Xavier (PP), presidente; Juvane Salazar (Republicanos), relator; e Gérson Alves (Republicanos), membro.
Denúncia aponta irregularidades
A denúncia acusa o prefeito de irregularidades superiores a R$ 7,4 milhões, envolvendo dispensa ilegal de licitação, uso de empresas de fachada e pagamentos sem comprovação de entrega de bens e serviços.
A vereadora Elda Xavier, presidente da comissão processante, afirmou que notificará o prefeito nos próximos dias, concedendo-lhe dez dias para apresentar defesa. Em seguida, a comissão elaborará o parecer em cinco dias, e ele será votado em plenário.
Prefeito nega acusações e fala em perseguição política
O prefeito Chicão reagiu à decisão e afirmou que o processo representa uma tentativa de perseguição política. Ele garantiu que sua gestão atua de forma transparente e que provará sua inocência.
Ele foi eleito em 2024, com 3.064 votos, o equivalente a 59,4% do total.
MPC-RR pediu afastamento do prefeito
As denúncias contra Chicão ganharam força após uma investigação do MPC-RR em julho de 2025, que apontou fraudes em licitações e contratos administrativos. O órgão pediu ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-RR) o afastamento imediato do prefeito.
De acordo com o MPC-RR, uma das empresas contratadas pela prefeitura, por R$ 669 mil, tem sede em uma casa de madeira, o que levantou suspeitas de se tratar de empresa fantasma.
Além disso, a investigação começou após uma denúncia anônima recebida em 10 de junho de 2025. Uma diligência realizada em 17 de junho resultou na abertura de sete processos administrativos na sede da prefeitura.
Próximos passos
Com o processo instaurado, a comissão processante deve iniciar as oitivas de testemunhas e solicitar documentos que comprovem ou descartem as acusações.
Caso o relatório final recomende a cassação e o plenário da Câmara aprove a decisão, Chicão poderá perder o mandato e ficar inelegível.
Enquanto a investigação avança, o prefeito permanece no cargo, e o clima político em São Luiz segue tenso, com a cidade dividida entre apoiadores e opositores da gestão.