O único país do Oriente Médio que não assinou o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) e que rejeita inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) é Israel.
Embora o governo mantenha uma política de silêncio, a comunidade internacional considera amplamente que o país possui um arsenal nuclear clandestino, com estimativas apontando para ao menos 90 ogivas.
Relatos de ex-funcionários, especialistas e documentos históricos indicam que Israel desenvolve, há décadas, um programa nuclear avançado.
Essa postura de ambiguidade estratégica alimenta debates sobre um suposto tratamento desigual nas relações internacionais.
Enquanto o Irã sofre intensa pressão, sanções e vigilância por causa de seu programa nuclear, Israel passa praticamente ileso a esse tipo de escrutínio, gerando acusações de hipocrisia por parte de algumas nações e analistas.

Documentos revelados ao longo dos anos sugerem que os Estados Unidos estavam cientes das ambições nucleares israelenses desde as fases iniciais. A França também teve papel importante no processo, auxiliando na construção da infraestrutura necessária para o programa atômico.
Uma das confirmações mais contundentes sobre o projeto veio em 1986, quando o ex-técnico nuclear Mordechai Vanunu tornou públicas informações detalhadas sobre as atividades na instalação de Dimona.
Vanunu acabou condenado por traição e cumpriu pena de 18 anos de prisão. Desde então, outros ex-militares e especialistas também reforçaram a existência e a dimensão da capacidade nuclear israelense.
Para alguns, o arsenal de Israel funciona como elemento de dissuasão estratégica, em meio à instabilidade da região.
No entanto, há também uma visão crítica, que aponta que o poder nuclear do país pode ter servido como instrumento político, fortalecendo sua posição em conflitos e impulsionando a expansão territorial sobre áreas palestinas.
*Com informações de Agência Brasil