Conquistar a primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH) no Acre continua sendo um grande desafio financeiro. De acordo com levantamento da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), o valor médio para concluir todo o processo chega a R$ 3.906,60, colocando o estado entre os dez mais caros do Brasil.
O montante engloba exames médicos e psicológicos, taxas cobradas pelo Detran, aulas teóricas e práticas, além das provas obrigatórias. Na prática, o valor representa mais de duas vezes o salário mínimo em vigor, o que limita o acesso de grande parte da população à habilitação.
A disparidade fica ainda mais evidente quando comparada a outros estados. Na Paraíba, por exemplo, o custo da CNH gira em torno de R$ 1.950,40, menos da metade do que é cobrado no Acre. Já no topo da lista está o Rio Grande do Sul, onde os candidatos chegam a pagar R$ 4.951,35.
CNH sem autoescola
O governo federal pretende alterar essa realidade ao flexibilizar a obrigatoriedade das autoescolas. A proposta, que está em análise pela Casa Civil, prevê que candidatos possam escolher se desejam ter aulas em centros credenciados ou buscar alternativas como instrutores autônomos cadastrados nos Detrans e cursos online para a parte teórica.
Segundo o Ministério dos Transportes, a medida visa reduzir custos e ampliar o acesso, especialmente para pessoas de baixa renda e mulheres. Hoje, estima-se que mais de 18 milhões de brasileiros dirigem sem habilitação, sendo o preço considerado o principal obstáculo.
Enquanto a proposta não é implementada, o Acre segue figurando entre os estados em que obter a CNH se tornou um grande investimento financeiro, dificultando o sonho da carteira para milhares de jovens e trabalhadores que dependem do documento para ampliar suas oportunidades.