O Acre vive um cenário de alerta em relação à vacinação contra a Covid-19 e a dengue. Informações divulgadas pela Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) mostram que o estado não conseguiu alcançar as metas de imunização estipuladas pelo Ministério da Saúde, o que tem preocupado gestores e profissionais da área.
No caso da Covid-19, a meta de vacinar 95% das crianças menores de um ano não foi alcançada em nenhuma regional. Essa baixa adesão compromete a proteção coletiva e expõe o público infantil a riscos maiores de complicações. De janeiro a agosto, foram confirmados 20 óbitos relacionados à doença, a maioria em pessoas idosas que já tinham comorbidades.
O panorama da dengue também inspira preocupação. A campanha de vacinação, direcionada a adolescentes de 10 a 14 anos, enfrenta resistência, e a cobertura vacinal segue distante do ideal em todos os municípios acreanos. Essa situação se soma às condições climáticas favoráveis à proliferação do mosquito Aedes aegypti, criando um ambiente propício para o aumento de casos.
De acordo com dados oficiais, entre janeiro e maio de 2025, o estado já contabilizava três mortes por dengue e 7.875 casos prováveis da doença. O número representa um salto de mais de 112% em relação ao mesmo período do ano passado.
Parâmetro Nacional
No cenário nacional, a preocupação com a cobertura vacinal também é evidente. Dados do Ministério da Saúde mostram que, em várias regiões do Brasil, tanto a vacinação contra a Covid-19 quanto a da dengue estão abaixo das metas recomendadas, refletindo desafios como desinformação, resistência da população e dificuldades de acesso a postos de imunização.
Especialistas alertam que essa baixa adesão em todo o país aumenta o risco de surtos e complicações graves, reforçando a importância de intensificar campanhas de conscientização e estratégias de vacinação em massa.
A primeira vacina contra a dengue foi disponibilizada no Brasil a partir de 2015, inicialmente para grupos específicos devido a questões de segurança e eficácia. Desde então, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) expandiu gradualmente a campanha, direcionando principalmente para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, considerados grupos de maior risco. Em 2023, foi aprovada no país a segunda, chamada “Qdenga®”, e incorporada ao SUS em 2024.