Cinco anos após colapso do oxigênio, MPF reforça que tragédia no Amazonas era evitável

Redação Portal Norte

Cinco anos após a maior tragédia sanitária da história do Amazonas, o colapso do oxigênio durante a pandemia da Covid-19, o Ministério Público Federal (MPF) voltou a se manifestar sobre o caso e apresentou um balanço das investigações e das ações judiciais em curso.

As informações foram divulgadas nesta quarta-feira (14), durante o programa Povo na TV, da TV Norte Amazonas.

O dia 14 de janeiro de 2026 marca cinco anos do episódio que levou centenas de pacientes à morte por falta de oxigênio medicinal em unidades de saúde de Manaus e do interior do estado.

Na época, a notícia do desabastecimento começou a circular ainda pela manhã, revelando um cenário de colapso hospitalar que deixou famílias inteiras devastadas.

MPF afirma que colapso poderia ter sido evitado

Durante a entrevista, o procurador da República Igor Jordão Alves afirmou que as investigações conduzidas pelo MPF desde 2021 apontam que a crise era plenamente evitável.

Segundo ele, a principal fornecedora de oxigênio medicinal já alertava desde julho de 2020 sobre a necessidade de ampliar a oferta do insumo na rede pública de saúde.

Além disso, em 4 de janeiro de 2021, uma comitiva do Ministério da Saúde esteve em Manaus e foi informada sobre o risco iminente de colapso do sistema.

Relatórios da Abin indicam déficit desde dezembro de 2020

O MPF também teve acesso a relatórios da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que indicam que desde 28 de dezembro de 2020 já havia um déficit crônico de oxigênio medicinal na rede pública de saúde de Manaus.

Segundo o procurador, esse problema persistiu até o fim de janeiro de 2021 e afetou também municípios do interior, como Parintins e Manacapuru.

De acordo com Igor Jordão, os documentos foram obtidos por meio da Procuradoria-Geral da República, junto à Casa Civil, e estão amparados pela Lei de Acesso à Informação.

Ação pede R$ 4 bilhões em indenização e medidas simbólicas

O MPF move uma ação civil pública que pede a condenação da União, do Estado do Amazonas e do Município de Manaus. Entre as solicitações estão:

  • R$ 4 bilhões em indenização, por danos morais coletivos e danos sociais;
  • Medidas de reparação simbólica, como a construção de um memorial em homenagem às vítimas;
  • Nomeação de logradouros públicos em memória dos mortos;
  • Criação de programas de apoio psicossocial para familiares das vítimas.

Número de vítimas ainda é desconhecido

Um dos pontos mais graves destacados pelo MPF é que, mesmo após cinco anos, não há um número oficial de vítimas da crise do oxigênio. Segundo o procurador, o poder público não conseguiu identificar com precisão quantas pessoas morreram em decorrência direta do desabastecimento nem quantas famílias foram impactadas.

Busca por memória, justiça e reparação

O MPF reforçou que seguirá atuando para garantir justiça, memória e reparação às vítimas da tragédia, considerada um dos episódios mais traumáticos da pandemia no Brasil.

Para o órgão, a falha dos entes públicos em garantir o direito à saúde impõe a responsabilização e a adoção de medidas que impeçam que uma tragédia semelhante volte a acontecer.