Menor cidade de Roraima vive colapso financeiro após receber R$ 103 milhões em emendas

Redação Portal Norte

Mesmo tendo recebido mais de R$ 103 milhões em emendas parlamentares entre 2021 e 2024, o município de São Luiz, em Roraima, enfrenta caos administrativo e financeiro, de acordo com levantamentos do G1.

Com 7.315 habitantes, segundo o Censo de 2022, a menor cidade do estado acumula dívidas que ultrapassam os R$ 38 milhões e convive com uma série de obras milionárias inacabadas, apelidadas pela população de “elefantes brancos”.

Entre as construções abandonadas estão:

  • Parque de vaquejada – R$ 13,7 milhões, 2 anos e 4 meses de atraso;
  • Escola municipal –  R$ 2,7 milhões, 1 ano e 6 meses de atraso;
  • Portal de entrada – R$ 2,16 milhões, 2 anos e 9 meses de atraso;
  • Praça – R$ 6 milhões, 11 meses de atraso;
  • Conjunto habitacional – R$ 12,3 milhões, sem previsão de entrega;
  • Unidade Básica de Saúde (UBS) – R$ 1,3 milhão, 2 anos e 11 meses de atraso.

Todas essas obras, iniciadas na gestão do ex-prefeito James Batista (SD), permanecem paralisadas com atrasos que passam de dois anos.

Batista governou a cidade entre 2021 e 2024, mesmo após ter o mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). 

Município de São Luiz/RR. Foto: Caíque Rodrigues/G1.

Milhões e decisões

Durante a gestão, São Luiz recebeu cerca de R$ 100 milhões em emendas federais via transferências especiais (emendas Pix), segundo a Controladoria-Geral da União (CGU), além de R$ 3,5 milhões em emendas estaduais, conforme dados da Assembleia Legislativa de Roraima (Ale-RR). 

Se considerados os valores recebidos, o montante equivale a mais de R$ 14 mil por habitante. Por outro lado, a dívida deixada pela gestão anterior, de R$ 38 milhões, representa quase 74% do orçamento previsto para 2025, que é de R$ 51,9 milhões — ou seja, cada cidadão da cidade “deve”, na prática, mais de R$ 5 mil.

Com o cenário, o atual prefeito Chicão (PP) decretou estado de calamidade financeira no município em janeiro deste ano. O decreto, com validade de seis meses, apontava salários atrasados, dívidas com prestadores de serviço e empresas terceirizadas, e falta de recursos básicos.

No entanto, mesmo sob emergência, o novo gestor passou a ser alvo de investigação por pagamentos a empresas de fachada.