O enigma do urutau: conheça as histórias e superstições que cercam a mãe-da-lua

Redação Portal Norte

O canto melancólico do urutau, também conhecido como mãe-da-lua, continua despertando curiosidade e temor nas comunidades rurais do Pantanal. O som forte e lamentoso emitido pela ave durante a noite alimenta antigas superstições e, por desconhecimento, muitas pessoas ainda associam o animal ao mau agouro. Em razão desses mitos, não é incomum que moradores solicitem a retirada da espécie por meio da Polícia Ambiental, o que acaba resultando no encaminhamento para centros de triagem, mesmo sem necessidade.

A ave, que faz parte do folclore de diversos países da América do Sul, é cercada por narrativas tradicionais. Uma das lendas mais populares, de origem boliviana, conta a história da filha de um cacique que se apaixonou por um jovem guerreiro da mesma tribo. O romance, reprovado pelo pai da jovem, terminou de forma trágica quando ele decidiu tirar a vida do rapaz. Desesperada ao descobrir o ocorrido, a jovem ameaçou revelar a verdade à comunidade. Tomado pela fúria, o pai lançou um feitiço sobre a filha, transformando-a em uma ave noturna. Seu canto triste, segundo a lenda, seria a eterna lamentação pela perda do amado.

Veja também: Urutau é encontrado ferido e resgatado pelo Corpo de Bombeiros em Ji-Paraná (RO)

No último fim de semana, um urutau ferido foi encontrado às margens do anel viário de Ji-Paraná (RO). A ave apresentava dificuldade para voar e sinais de fraqueza, sendo resgatada pelo Corpo de Bombeiros após ser avistada por moradores. O animal foi encaminhado à clínica veterinária municipal, onde recebe cuidados especializados. A expectativa é que, após a recuperação, ele seja devolvido ao habitat natural.

O urutau também ocupa lugar especial no imaginário de outros povos. Na Amazônia peruana, a espécie é conhecida como Ayaymama. A mitologia local relata que um bebê abandonado pela mãe para protegê-lo de uma peste mortal teria se transformado na ave, cujo canto lembra o choro de uma criança pedindo pela mãe.

Já na fronteira entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, no Mato Grosso do Sul, a lenda apresenta outra versão: a de um jovem galanteador que fazia sucesso nos bailes da região, mas que, marcado por uma tragédia familiar, teria sido amaldiçoado e transformado no pássaro que entoa um canto sombrio pelas noites do campo.

As diferentes histórias que envolvem o urutau reforçam a importância cultural e ambiental da espécie. Especialistas alertam que a ave não representa risco e deve ser preservada, já que desempenha papel fundamental no equilíbrio ecológico das áreas onde vive.