Casarão de Santo Antônio sofre com abandono e disputa judicial em Porto Velho

Redação Portal Norte

O Casarão de Santo Antônio, um dos mais antigos e simbólicos imóveis de Porto Velho, enfrenta uma situação crítica de abandono, falta de manutenção e disputa judicial. Tombado como patrimônio histórico estadual desde 1984, o imóvel apresenta rachaduras, telhado danificado e estrutura comprometida, após quase uma década sem uso contínuo ou reformas adequadas.

Localizado às margens do rio Madeira, o casarão já foi escritório da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio, mas desde o fim das obras da usina, mergulhou em um longo período de descaso.

Segundo a historiadora Rita Vieira, o processo de deterioração se intensificou nos últimos anos:

“O casarão passou por feitos de abandono e várias restrições, desde a inauguração da Usina do Santo Antônio até o final do ano passado”, afirma.

O prédio pertencia a um empresário local e foi alugado pela Santo Antônio Energia durante a construção da usina. Por estar próximo à obra, sua localização estratégica serviu como base operacional da empresa.

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Casarão de Santo Antônio já foi usado para eventos na cidade. Foto: Reprodução

“A Santo Antônio Energia alugou o casarão para ser o escritório da empresa, porque estava situado às margens do rio Madeira e era muito próximo à construção”, explica a historiadora.

Mas com o avanço das obras, a empresa acionou a Justiça, alegando riscos estruturais:

“A própria Santo Antônio Energia recorreu à Justiça para interditar o casarão, porque devido à proximidade da estrutura de funcionamento da usina, o casarão se esforçava muito e era perigoso. Alegaram que era perigoso para a população frequentar esse lugar”, detalha Rita Vieira.

Situação atual

Somente no final de 2024 a Justiça reconheceu a posse do casarão como sendo da Secretaria de Patrimônio da União (SPU), o que abriu caminho para futuras ações do governo federal ou parcerias institucionais para revitalizar o espaço.

Além do desgaste natural e do longo abandono, o casarão também foi alvo de furtos de materiais, agravando a situação estrutural.

Moradores e pesquisadores da capital cobram uma solução urgente para o imóvel, que guarda parte importante da memória local, especialmente relacionada à construção da lendária Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.