‘PL da Devastação’: quase todos os deputados de Rondônia votam a favor de projeto que ‘facilita’ desmatamento

Redação Portal Norte

A Câmara dos Deputados aprovou, na última quarta-feira (16), o projeto de lei que cria a nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental.

Conhecido por ambientalistas como o “PL da Devastação”, o texto tramitava há mais de 20 anos no Congresso e passou com 267 votos favoráveis e 116 contrários.

O projeto muda radicalmente as regras para emissão de licenças ambientais em todo o país, com menos exigências e mais agilidade, segundo seus defensores.

Já organizações socioambientais apontam risco de desmatamento em larga escala, além da desproteção de comunidades tradicionais e enfraquecimento de órgãos de controle ambiental.

Como votaram os deputados federais de Rondônia?

Dos oito deputados federais de Rondônia, sete participaram da votação — todos votaram a favor do projeto.

Veja como cada parlamentar votou:

  • Coronel Chrisóstomo (PL) — votou a favor
  • Dr. Fernando Máximo (União Brasil) — votou a favor
  • Silvia Cristina (PP) — votou a favor
  • Cristiane Lopes (União Brasil) — votou a favor
  • Maurício Carvalho (União Brasil) — votou a favor
  • Lebrão (União Brasil) — votou a favor
  • Thiago Flores (Republicanos) — votou a favor
  • Lúcio Mosquini (MDB) — esteve ausente

O que muda com o novo projeto?

O novo projeto altera profundamente o modelo de licenciamento ambiental no Brasil, impactando obras públicas e privadas. Confira os principais pontos:

  1. Licença Ambiental Especial (LAE)
    Obras classificadas como “estratégicas” poderão ser autorizadas de forma mais rápida, com emissão da licença em até 12 meses. A validade pode chegar a 10 anos, mesmo em atividades de alto impacto ambiental.
  2. Dispensa de licenciamento
    Diversas atividades passam a ser automaticamente dispensadas de licença, como:
  • Ampliação de estradas
  • Atividades agropecuárias
  • Pequenas barragens de irrigação
  • Tratamento de água e esgoto
  1. Renovação automática
    Licenças poderão ser renovadas por autodeclaração, sem análise técnica, desde que a atividade não tenha mudado.
  2. Autodeclaração nacionalizada
    O empreendedor poderá declarar online que cumpre os requisitos ambientais. A fiscalização ocorrerá apenas depois, o que aumenta os riscos de fraudes e danos irreversíveis.
  3. Enfraquecimento do Ibama e do Conama
    Responsabilidades de licenciamento deixam de ser exclusivas dos órgãos federais e passam a ser de estados e municípios. O novo projeto revoga trechos da Lei da Mata Atlântica, o que pode liberar o desmatamento em áreas até então protegidas.
  4. Desproteção de terras indígenas e quilombolas
    Terras não homologadas deixarão de ser consideradas protegidas para efeito de licenciamento, afetando cerca de 18 milhões de hectares, segundo o Instituto Socioambiental.
  5. Sítios arqueológicos ameaçados
    O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) só poderá atuar quando já houver bens identificados, o que, segundo arqueólogos, dificulta a prevenção e aumenta a perda de patrimônios históricos.

Entidades ambientais criticam ‘PL da Devastação’

Organizações como o Observatório do Clima, a Sociedade de Arqueologia Brasileira e até o Ministério do Meio Ambiente criticaram duramente o projeto, alertando para:

  • Aumento da impunidade ambiental
  • Risco à segurança ambiental
  • Retrocesso na proteção de povos e florestas

Agora, o texto aprovado segue para sanção presidencial. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderá vetar total ou parcialmente os trechos mais controversos do projeto.