O ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Mauro Cesar Barbosa Cid, afirmou em um dos áudios liberados pela Polícia Federal (PF), no domingo (23), que havia infiltrados em “todo lugar” após as eleições de 2022.
“A gente tem cara infiltrado em todo lugar, monitorando e passando para a gente as informações, refutando ou ajudando a investigar, digamos assim”, disse Cid em uma das gravações.
O áudio faz parte do material extraído de celulares e computadores apreendidos durante a investigação da PF.
Essa troca de informações parece se referir à tentativa de encontrar falhas nas urnas.
No entanto, acabaram não conseguindo reunir provas que validassem a hipótese de fraude eleitoral.
Fraude nas urnas
Nos vídeos da delação premiada, Cid confirma que a Comissão do Exército fez um laudo no dia seguinte às eleições de 2022 constatando que não havia nenhum problema.
Segundo ele, o presidente estava pressionando para que o general e o então ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, escrevesse que os resultados eram “fraude”.
“O que acabou saindo foi que não poderia comprovar. Acabou sendo um meio-termo entre o que presidente queria”, declarou o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
Em outro vídeo, Cid diz a Moraes que recebia milhares de mensagens de apoiadores e aliados do ex-presidente cobrando que Bolsonaro e as Forças Armadas tomassem alguma atitude para permanecer no poder.
Cid explica que o presidente tinha esperança de que até o último momento fosse aparecer “uma prova cabal de que houve fraude nas urnas”.
“Ele tinha a esperança que, até o último momento – ele até falou ‘Papai do Céu sempre ajudou a gente, vamos ver o que aparece aí (…) E aí, sim, que todo mundo visse, aí teria o povo na rua, a mobilização, as Forças Armadas, era isso que passava na cabeça do presidente”, revelou.
Forças Armadas
Questionada sobre as acusações, as Forças Armadas, que incluem a Marinha, o Exército e a Aeronáutica, afirmaram que não se manifestam sobre processos judiciais em andamento.
“Esse é o procedimento que tem pautado a relação de respeito do Exército Brasileiro com as demais instituições da República”, diz em nota.
Delação premiada
Os vídeos da delação premiada de Cid foram tornados públicos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Os depoimentos foram colhidos no ano passado pela Polícia Federal (PF). O sigilo da transcrição já tinha sido derrubado na quarta, mas as mídias ainda não estavam disponíveis para acesso público.
Bolsonaro é acusado por abolir violentamente o Estado Democrático de Direito e integrar uma organização criminosa.