Os consumidores têm observado uma alta de preços nos alimentos nas primeiras semanas de janeiro.
Carne, laranja, café, açúcar e óleo de soja são os itens no topo da lista de preocupações do governo.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou 2024 em 4,8%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O setor de energia e dos alimentos foram os mais impactados. De acordo com o IPCA, os itens de consumo popular que mais encareceram em 2024 são:
- Laranja-lima e laranja-pera: 91,03% e 48,33%;
- Café moído: 39,6%;
- Óleo de soja: 29,21%;
- Carnes: 20,84% (maior alta no acém, 25,24%);
- Açúcar e derivados: 5,59% (maiores altas no açúcar orgânico, de 17,62%;
- Etanol, de 17,58%.
Desde então, o governo federal está trabalhando em um plano para conter a alta dos preços dos alimentos, considerado um dos principais fatores responsáveis pela inflação em 2024.
Nesta semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em diálogo com ministros e setores da economia, vai discutir as possibilidades para baratear os alimentos.
O que explica?
A economista conselheira do CORECON SP e professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Carla Beni, aponta que os grandes impulsionadores da inflação foram os alimentos exportáveis: carne bovina/suína e café moído.
Ou seja, a alta do dólar é a razão principal para a elevação dos preços.
“Todas as vezes que há um estímulo no câmbio: quem produz vai ganhar mais exportando. Então, quando ele é favorecido, aumentam as áreas de cultura para exportação e diminuem as outras áreas de produção internamente”, explica.
A economista ainda afirma que a taxa de juros no Brasil está “muito elevada”, o que dificulta o produtor a conseguir crédito.
Apesar de explicar grande parte, o câmbio sozinho não justifica o crescimento das carnes, por exemplo.
“Também é importante que a gente pense em sazonalidade, o grande problema está no final do ano: não há uma explicação racional do que por quê as carnes subiram tanto no período do final do ano. Até seria interessante que os próprios frigoríferos e produtores explicassem isso publicamente”, comenta Carla.
Sendo assim, ela acredita que o resultado do preço dos alimentos é sobretudo uma “inflação de custos”.
O que pode ser feito?
Esse contexto afeta a percepção do dia a dia da população e impacta a credibilidade do governo.
As classes mais baixas são as mais impactadas, pois elas gastam cerca de 35% da renda com comida, enquanto as mais elevadas entre 18% a 20%.
“É aí que reside a grande problemática”, diz Carla Beni.
O governo federal está avaliando medidas para frear o aumento no valor dos alimentos.
Para a economista Carla Beni, é importante pensar em estratégias voltadas ao contexto coletivo, nos municípios, como hortas e restaurantes comunitários; além da agricultura familiar – que fornece em torno de 70% do que a população come.
Além disso, outra medida interessante, segundo ela, são os estoques reguladores, “onde o governo compra em um preço mais baixo, estoca e depois vende”.
Avanços da discussão
O presidente da República, ministros e auxiliares estão cogitando estratégias, como a redução do imposto de importação.
Na primeira reunião ministerial no Palácio do Planalto, Lula declarou que baratear o preço dos alimentos que chegam à mesa do trabalhador é a prioridade do governo em 2025.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já havia antecipado que a queda do dólar deve afetar o preço dos alimentos.