O governo federal se posicionou, nesta quarta-feira (29), contra a megaoperação policial realizada nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, que resultou em 119 mortes — o maior número de vítimas em uma ação do tipo na história do estado.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, o Planalto afirmou que ações letais não solucionam o avanço do crime organizado e defendeu estratégias de inteligência e integração entre as forças de segurança.
Governo diz que “não adianta matar 120 pessoas”
O vídeo, intitulado “Explicando a operação policial no Rio de Janeiro com inteligência”, compara as operações de confronto direto com ações que atacam o núcleo financeiro e de comando das facções.
“O enfrentamento precisa mirar na cabeça — mas não de pessoas”, diz a locução, reforçando que mortes em massa não desestruturam o crime, que rapidamente repõe seus integrantes.
O governo destacou ainda que operações violentas expõem policiais e moradores inocentes a riscos, defendendo a necessidade de uma política de segurança mais coordenada e precisa.
PEC da Segurança Pública volta ao debate
O Planalto também aproveitou o vídeo para retomar a defesa da PEC da Segurança Pública, proposta enviada em abril pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.
O texto propõe ampliar a participação da União nas políticas de segurança e criar corregedorias e ouvidorias independentes para fiscalizar as corporações. A PEC também prevê a integração das polícias e guardas municipais em um sistema nacional e amplia as funções da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que passaria a patrulhar ferrovias e hidrovias.
Apelidada de “SUS da Segurança Pública”, a proposta segue parada na Câmara dos Deputados há seis meses e enfrenta resistência de governadores, entre eles o do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), que defende maior autonomia estadual.
Lula pede “trabalho coordenado” e cria grupo emergencial no Rio
Mais cedo, o presidente Lula se pronunciou nas redes sociais, afirmando que o Brasil precisa de ações integradas que combatam o crime organizado sem colocar a população em risco.
Ele citou a operação da PF em São Paulo como modelo e defendeu estratégias conjuntas que atinjam a estrutura financeira e logística das facções.
Durante reunião de emergência realizada no Palácio da Alvorada, Lula determinou que Lewandowski e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, fossem ao Rio de Janeiro para articular uma resposta conjunta com o governo estadual.
Do encontro resultou a criação de um escritório emergencial de combate ao crime organizado, que funcionará na capital fluminense e reunirá representantes federais e estaduais.
“Estamos iniciando um novo modelo de enfrentamento, com decisões rápidas e menos letalidade”, afirmou o ministro após a reunião.