A Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) do Rio de Janeiro tem até 30 dias para concluir o inquérito que investiga o rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, de 23 anos, conhecido como Oruam.
O artista responde por desacato, ameaça, dano ao patrimônio público, resistência à prisão e associação ao tráfico de drogas.
Segundo a Polícia Civil, os crimes atribuídos ao cantor podem somar até 18 anos e seis meses de reclusão, caso seja condenado.
Oruam está preso preventivamente desde terça-feira (22), após se apresentar à Polícia Interestadual (Polinter), no Rio.
Associação com o Comando Vermelho
Um dos focos da investigação é a suposta ligação de Oruam com a facção Comando Vermelho, que atua fortemente no Complexo da Penha, zona norte da capital.
A polícia afirma que o rapper teria feito apologia ao grupo criminoso em vídeos publicados nas redes sociais.
Em uma das gravações citadas pelos investigadores, Oruam desafia os policiais.
“Quero ver vocês virem aqui me pegar dentro do Complexo. […] Eu sou filho do Marcinho, sim”, declarou, referindo-se ao traficante Marcinho VP, que, segundo a polícia, é seu pai.
Além do vídeo, imagens recentes de Oruam ao lado de Edgar Alves de Andrade, atual chefe do Comando Vermelho na Penha, reforçam as suspeitas da DRE.
Prisões anteriores e maus antecedentes do rapper
Embora o cantor não tenha condenações na Justiça, o delegado Paulo Saback, da DRE, o classifica como “tecnicamente primário”, já que possui registros anteriores em delegacias e assinou termos circunstanciados.
Em fevereiro deste ano, Oruam foi detido em dois episódios distintos.
No dia 20, realizou uma manobra de “cavalo de pau” em frente a uma blitz e foi levado à 16ª DP (Barra da Tijuca), sendo liberado após pagar fiança de R$ 60 mil;
Seis dias depois, foi autuado por favorecimento pessoal, após policiais encontrarem um foragido da Justiça em sua casa, mas também foi solto após assinar termo.
Operação começou para apreender adolescente
A mais recente operação da DRE tinha como objetivo capturar o adolescente Menor Piu, de 17 anos, que estava escondido na residência de Oruam.
O rapaz, que saiu do sistema socioeducativo em maio, tinha novo mandado de busca e apreensão.
Os policiais aguardaram o menor sair da casa do cantor para realizar a abordagem na rua. A ação, porém, terminou em confusão.
Segundo os agentes, amigos de Oruam atiraram pedras na viatura, ajudando Piu a fugir momentaneamente. O grupo também teria desacatado os policiais.
Um dos envolvidos, Pablo Ricardo de Paula Silva de Moraes, foi preso em flagrante por resistência e desacato e levado à carceragem de Benfica.
Após a Justiça expedir mandados de prisão, tanto Oruam quanto Piu se entregaram às autoridades. O cantor compareceu à Polinter, enquanto o adolescente foi à 26ª DP (Todos os Santos) acompanhado da mãe.
As investigações continuam, e a expectativa da polícia é que, mesmo sendo réu primário, Oruam possa cumprir entre 6 e 8 anos de prisão, dependendo da interpretação judicial e dos antecedentes analisados.