Violência contra pessoas LGBT+ ainda tem números alarmantes no Brasil

Redação Portal Norte

Entre 2014 e 2023, o Brasil registrou um aumento alarmante nos casos de violência contra pessoas LGBT+. Os dados fazem parte do Atlas da Violência divulgado em maio de 2025. A pesquisa aponta crescimentos expressivos: 1.193% nas agressões contra homossexuais e bissexuais; 1.111% contra mulheres trans; 1.607% contra homens trans; e impressionantes 2.340% contra travestis.

Embora os números sejam altos, o relatório destaca que parte desse salto pode estar relacionada à subnotificação nos anos anteriores. Ou seja, os dados atuais refletem não apenas mais violência, mas também uma melhora na captação e registro dos casos.

Além disso, o estudo ressalta que nem todas as ocorrências podem ser atribuídas diretamente à LGBTfobia. Isso porque os boletins médicos, fonte principal das informações, não incluem a motivação dos crimes. Portanto, a ligação direta com o preconceito nem sempre é possível de confirmar.

Violência contra pessoas LGBT+ cresce de forma constante

Mesmo com essas ressalvas, os registros oficiais mostram que a violência contra a população LGBT cresce de forma constante, com exceção do período entre 2019 e 2020, quando foi registrada uma leve queda.

Comparando os dados mais recentes, entre 2022 e 2023, houve um aumento de 35% nas agressões contra gays e bissexuais, e de 43% nos casos envolvendo pessoas trans e travestis. A pesquisa registrou o maior salto percentual entre homens trans, embora o número absoluto de mulheres trans agredidas ainda seja significativamente maior.

Outro fator apontado pelo Atlas é a falta de estatísticas consolidadas sobre a população LGBTQIAPN+ no Brasil. Sem um censo específico e com lacunas na coleta de dados oficiais, compreender a real dimensão do problema continua sendo um desafio.

De acordo com o relatório, o aumento nos números também está ligado a dois fenômenos: o crescimento da autoidentificação de pessoas como LGBTQIA+ e a expansão da rede de atendimento de saúde, que melhorou a base de notificações do Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação).

Além da violência física, o Atlas chama atenção para um cenário político cada vez mais hostil. O documento destaca o avanço de discursos extremistas contrários à chamada “ideologia de gênero”, com reflexos diretos no Congresso Nacional.

De acordo com pesquisa da FGV Direito Rio, entre 2019 e 2023 foram apresentados mais de 60 projetos de lei com conteúdo antitrans. As propostas incluem:

  • 26 contra o uso da linguagem não-binária;
  • 11 que tentam proibir mulheres trans em esportes femininos;
  • 10 contra cirurgias de redesignação sexual e terapias hormonais;
  • 7 voltados a combater a “ideologia de gênero”;
  • 3 contra banheiros de gênero neutro;
  • 4 projetos que propõem restringir o reconhecimento da identidade de gênero em documentos civis, no casamento e na previdência.