Governo avalia estender negociações após tarifa de 50% dos EUA sobre exportações brasileiras

Redação Portal Norte

O governo federal estuda ampliar o prazo de negociação com os Estados Unidos para tentar reverter a tarifa de 50% dos EUA sobre exportações brasileiras, anunciada recentemente. Afinal, a medida, imposta pelo presidente norte-americano Donald Trump, afeta diretamente diversos setores produtivos, incluindo agricultura, indústria e bens de alto valor agregado.

Durante reunião com empresários da indústria, nesta terça-feira (15/7), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou que a prioridade é encontrar uma solução rápida. No entanto, se for necessário estender o prazo das tratativas, o Brasil está disposto a trabalhar nesse sentido. O governo também pretende atuar em parceria com os setores prejudicados para reverter as sanções comerciais.

Autoridades e outros representantes participaram de reunião sobre tarifa de 50% dos EUA

Participaram do encontro autoridades de peso, como os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Simone Tebet (Planejamento), Rui Costa (Casa Civil), Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos), além de representantes do Itamaraty e de diversas secretarias ligadas ao comércio exterior e à economia.

Representantes de grandes setores exportadores também estiveram presentes, entre eles os presidentes da CNI, Fiesp, Abimaq, Abicalçados, Abit, ABAL, IBÁ, Centrorochas, Sindipeças e Instituto Aço Brasil. Empresas como Embraer, Tupy, WEG e RIMA marcaram presença com seus principais executivos.

Brasil é o país mais penalizado por tarifaço dos EUA

A tarifa de 50% dos EUA sobre exportações brasileiras faz parte de uma medida mais ampla, que atinge outros 23 países e blocos comerciais. No entanto, o Brasil foi o mais penalizado, recebendo a maior alíquota. México, União Europeia, África do Sul e Japão também foram incluídos, mas com tarifas inferiores.

Atualmente, cerca de 12% das exportações brasileiras têm os EUA como destino. Produtos como óleos brutos de petróleo, ferro, aço, celulose, carne bovina, café, suco de laranja, aeronaves e máquinas para o setor de energia estão entre os mais vendidos ao país norte-americano e agora correm o risco de perder competitividade.

Lei de Reciprocidade Econômica

Em resposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou o decreto que regulamenta a Lei de Reciprocidade Econômica. A norma permite ao Brasil suspender concessões comerciais, investimentos e direitos de propriedade intelectual em casos de medidas unilaterais que prejudiquem a economia nacional.

O decreto também criou o Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais. O grupo será presidido pelo ministro do Desenvolvimento e incluirá os titulares da Fazenda, Relações Exteriores e Casa Civil. A missão do comitê é deliberar sobre possíveis retaliações e acompanhar as negociações internacionais.

Se não houver acordo até 1º de agosto, o governo brasileiro considera aplicar o princípio da reciprocidade. Essa alternativa poderá resultar em tarifas contra produtos norte-americanos ou restrições comerciais específicas, como forma de reagir à tarifa de 50% dos EUA sobre exportações brasileiras.