O dólar opera em queda nesta segunda-feira (19), refletindo o aumento da aversão ao risco nos mercados internacionais após o anúncio de novas tarifas comerciais por parte dos Estados Unidos contra países europeus.
A medida, associada à disputa envolvendo a Groenlândia, ampliou as incertezas sobre a previsibilidade da política externa e econômica norte-americana e levou investidores a reduzirem exposição a ativos dos EUA.
O impacto foi sentido nos principais indicadores globais. O índice Bloomberg Dollar Spot registrou recuo de 0,1%, enquanto moedas europeias avançaram frente ao dólar, com destaque para o franco suíço, impulsionado pela busca por ativos considerados mais seguros. O euro também apresentou recuperação, após ter atingido o menor patamar em quase dois meses.
No mercado brasileiro, o movimento externo influenciou o câmbio. Por volta das 14h50, o dólar comercial caía 0,27%, sendo negociado a R$ 5,3580.
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, também refletia cautela e registrava leve baixa de 0,07%, aos 164.683 pontos.
A instabilidade ganhou força após o presidente dos Estados Unidos anunciar a intenção de impor uma tarifa adicional de 10% sobre produtos importados de oito países europeus a partir de 1º de fevereiro de 2026, com possibilidade de elevação para 25% em junho do mesmo ano.
A medida estaria condicionada ao posicionamento desses países contrário aos planos norte-americanos de adquirir a Groenlândia, território autônomo pertencente à Dinamarca. Entre os países afetados estariam Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia.
Mesmo com o feriado de Martin Luther King Jr. Day nos Estados Unidos, que mantém os mercados à vista fechados e reduz a liquidez global, os reflexos foram sentidos nos futuros de Wall Street e nas bolsas europeias, que operaram sob pressão. Os contratos futuros de Treasuries apresentaram comportamento misto diante do cenário de incerteza.
Na Europa, a reação à ameaça americana incluiu a avaliação de medidas de retaliação. Entre as possibilidades discutidas estão a imposição de tarifas sobre cerca de € 93 bilhões em produtos dos Estados Unidos ou a limitação do acesso de empresas norte-americanas ao mercado europeu.
O aumento das tensões comerciais e geopolíticas deve dominar as discussões econômicas globais nos próximos dias, inclusive durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos.
Com uma agenda econômica mais enxuta no início da semana, os investidores seguem atentos a novos desdobramentos políticos, às projeções econômicas no Brasil e aos movimentos das commodities, em um ambiente marcado por maior cautela e volatilidade nos mercados financeiros.