A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em taxar em 25% todas as importações de aço e alumínio para o país segue movimentando o cenário brasileiro.
Especialistas com as mais diversas visões analisam a medida. Na última semana, o economista Carlos Estevão Castelo explicou que poderia haver um prejuízo com influência no sistema de economia.
“A briga pode prejudicar preços internos, com produtos que possuem relação com o dólar e isso vai de farinha de trigo até combustível. Isso influencia nas expectativas de todos os agentes econômicos”, destacou.
Ao mesmo tempo, há quem entenda que as interferências serão mínimas. É o caso da economista e professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Carla Beni.
“Uma coisa é o anúncio e outra coisa é de fato o efeito colateral aqui no Brasil. A maior parte da nossa produção de aço é interna, então o impacto é muito menor do que se imagina”, afirma.
Apesar da crença, a economista destacou possíveis providências que poderiam ser aplicadas para reduzir eventuais danos.
São elas:
- Deixar que a exportação continue no mesmo patamar, deixando com que a empresa americana pague tarifa maior;
- O Brasil poderia aumentar a fatia para venda interna, visto que o aço e o alumínio são bases para o desenvolvimento industrial. Com a venda maior no país, poderia haver queda de preço, favorecendo índices inflacionários;
- Aumento de exportação para outros países. A ampliação de percentual com cotas específicas não seria complexo.
Cotas em acordo
A última alternativa dada por Beni vai de encontro ao que foi proposto pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, na última quarta-feira (12).
Para Alckmin, as cotas poderiam ser a solução para as tarifas.
“As cotas são um bom caminho, porque, quando lá atrás foi aumentado o imposto, foram estabelecidas cotas, que são um mecanismo inteligente. Se você aumenta o imposto de importação do aço para os Estados Unidos, isso tem um efeito na cadeia, tem um encarecimento da cadeia”, disse.