A facção criminosa Tren de Aragua, considerada a maior organização do crime organizado da Venezuela, já possui integrantes atuando em pelo menos seis estados brasileiros, segundo informações das forças de segurança.
O grupo voltou ao centro do noticiário após ser citado pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em declarações recentes envolvendo o governo venezuelano.
Roraima concentra maior presença do grupo
A maior concentração de membros do Tren de Aragua no Brasil está em Roraima, estado que faz fronteira com a Venezuela e se tornou uma das principais portas de entrada de refugiados nos últimos anos. De acordo com a Polícia Civil local, a infiltração da facção no estado ocorre ao menos desde 2016.
Inicialmente, os criminosos entravam de forma discreta, passando-se por migrantes. Com o tempo, passaram a disputar territórios em Boa Vista, o que contribuiu para o aumento dos índices de violência.
Atuação se espalhou por outros estados
Além de Roraima, investigações apontam a presença de integrantes do Tren de Aragua em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Nesses estados, o grupo teria estabelecido alianças estratégicas com as duas maiores facções do país: Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).
Segundo a polícia, os venezuelanos atuam como fornecedores de armas e também garantem rotas de transporte de cocaína oriunda da Colômbia, passando pelo território venezuelano.
Facção foi citada por Trump ao falar sobre Maduro
O Tren de Aragua foi mencionado por Donald Trump ao justificar ações contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, a quem acusa de envolvimento com organizações criminosas. Um júri federal dos Estados Unidos acusa Maduro de narcoterrorismo e tráfico internacional de drogas, crimes que podem resultar em penas que variam de 20 anos de prisão à prisão perpétua.
Trump afirmou que a facção venezuelana estaria ligada a atos violentos e à expansão do crime em território norte-americano.
Envolvimento com tráfico humano e crimes brutais
Além do tráfico de drogas e armas, o Tren de Aragua também é investigado por envolvimento em tráfico de mulheres, principalmente venezuelanas em situação de vulnerabilidade. As vítimas seriam aliciadas com promessas de melhores condições de vida no Brasil e posteriormente exploradas em redes de prostituição controladas pela facção.
No fim de 2024, a Polícia Civil de Roraima localizou um cemitério clandestino atribuído ao grupo, em Boa Vista. No local, foram encontrados dez corpos, incluindo mulheres com sinais de desmembramento, o que reforçou a brutalidade associada à organização criminosa.
Com informações do Metrópoles*