Nesta quarta-feira, 28 de maio de 2025, marca um ano da partida de Djidja Cardoso, ex-sinhazinha do Boi Garantido, cuja trajetória permanece viva na memória da cultura amazonense.
Nascida em Parintins, Djidja realizou o sonho de infância ao assumir, em 2016, o papel de Sinhazinha da Fazenda, defendendo o item 7 do Festival Folclórico de Parintins.

Por quase cinco anos, ela encantou o público com sua graça e paixão, tornando-se uma das figuras mais queridas do Boi Garantido. Em 2020, encerrou sua participação na arena, mas continuou envolvida com a cultura local.
Empreendedora e rainha do Peladão
Após deixar o festival, Djidja dedicou-se ao empreendedorismo, gerenciando o salão de beleza Belle Femme, com unidades em Manaus e Parintins.
Sua presença nas redes sociais, onde compartilhava treinos e curiosidades sobre o festival, conquistou milhares de seguidores.

Em 2021, a dançarina participou do reality show “Peladão a Bordo”, da TV A Crítica, consagrando-se campeã por voto popular.

Uma curiosidade: sua mãe, Cleusimar, também havia participado e ganhado o concurso em 1984.
Morte de Djidja
Djidja Cardoso faleceu em 28 de maio de 2024, aos 32 anos. A dançarina foi encontrada morta em sua casa, onde morava com a família. Sua morte abalou toda a comunidade bovina.
Nos meses que antecederam sua morte, Djidja enfrentou episódios de depressão e gastrite, conforme relatado por familiares.

Segundo investigações, a situação de Djidja se agravou a ponto de ela não conseguir mais andar sozinha, necessitando do uso de fraldas e apresentando estar bem debilitada.
Contudo, ninguém sabia de fato o que estava acontecendo com a dançarina. Quando anunciada sua morte, muitos de perguntaram o motivo.
O laudo do Instituto Médico Legal apontou que Djidja morreu em decorrência de um edema cerebral, que afetou o funcionamento do coração e da respiração.
Uso de cetamina
Além disso, depois de sua morte, a polícia descobriu o uso de cetamina, um anestésico veterinário com propriedades alucinógenas por parte da dançarina e pela família.
A substância era consumida em supostos rituais promovidos por uma seita criada pela própria família, chamada “Pai, Mãe, Vida”, que misturava práticas espirituais com o uso da droga.
Homenagens
O Boi Garantido prestou homenagem à “eterna Sinhazinha”, destacando seu legado e a saudade deixada.

“Nossa sinhazinha, a dona do nosso coração, atravessou o rio. Agora é hora de descansar, hora daquele adeus. Que Nossa Senhora do Carmo te receba e console todos aqueles que te amam”.
O Boi Caprichoso também publicou uma nota lamentando a perda repentina. Valentina Coimbra, atual sinhazinha da fazenda do Boi da Baixa do São José foi a primeira a publicar uma homenagem à empresária.
“Que Deus te receba minha eterna sinhazinha!! Obrigada por sempre ser uma grande apoiadora e um ser humano maravilhoso. Nunca esqueceremos de você”, escreveu.
Outros artistas também se manifestaram e lamentaram a perda da ex-sinhazinha.
Prisões
Dois dias após a morte de Djidja, a Polícia Civil do Amazonas deflagrou a Operação Mandrágora, que resultou na prisão de sua mãe, Cleusimar Cardoso, e de seu irmão, Ademar Cardoso.

Além deles, outras cinco pessoas foram condenadas por tráfico de drogas e associação para o tráfico, incluindo o ex-namorado de Djidja, Bruno Roberto Lima, e a gerente do salão de beleza, Verônica Seixas.
As penas aplicadas variam entre 10 anos e 11 meses de reclusão, além de multas que totalizam quase R$ 500 mil.