A Justiça decidiu manter a prisão da delegada de polícia Layla Lima Ayub, presa sob suspeita de envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
A decisão foi tomada após audiência de custódia realizada no sábado (17), confirmando a legalidade da prisão temporária.
Prisão ocorreu durante operação contra o crime organizado
Layla foi detida na sexta-feira (16) durante a Operação Serpens, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo, em conjunto com a Corregedoria-Geral da Polícia Civil e o Gaeco do Pará.
A ação também resultou na prisão de Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como “Dedel”, namorado da delegada e apontado pelas investigações como uma das lideranças do PCC na região Norte do país. Ambos são investigados por tráfico de drogas e associação criminosa.
Delegada havia tomado posse recentemente em São Paulo
Layla Lima Ayub tomou posse como delegada de polícia no dia 19 de dezembro de 2025, passando a integrar a Academia de Polícia (Acadepol). Segundo as autoridades, o companheiro, mesmo em situação irregular perante a Justiça, esteve presente na cerimônia oficial de posse.
Para os investigadores, o episódio demonstra ousadia, já que Dedel estaria descumprindo condições da liberdade condicional no período.
Atuação como advogada levantou suspeitas
Mesmo após assumir o cargo de delegada, Layla teria atuado como advogada de quatro integrantes do Comando Vermelho (CV) durante uma audiência de custódia realizada no Pará, no dia 28 de dezembro. Os presos respondiam por crimes relacionados ao tráfico de drogas e organização criminosa.
A atuação profissional, aliada ao relacionamento pessoal com um integrante do PCC, passou a ser considerada relevante no avanço das investigações.
Suspeita de apoio logístico e financeiro à facção
De acordo com o Ministério Público, a delegada é investigada por manter vínculos pessoais e profissionais com membros de facções criminosas, além de suspeitas de envolvimento em lavagem de dinheiro ligada ao grupo.
As apurações indicam que ela atuaria próxima a lideranças da organização criminosa, especialmente na região Norte do Brasil.
Histórico criminal do companheiro
Jardel “Dedel” Neto Pereira da Cruz, de 29 anos, já havia sido preso em 2021, apontado como responsável pela tentativa de expansão do PCC em áreas dominadas pelo Comando Vermelho. Em 2023, voltou a ser detido após fugir do regime semiaberto.
Na prisão mais recente, as autoridades constataram que ele havia deixado Marabá (PA) sem autorização judicial, o que caracteriza violação das regras da liberdade condicional.
Mandados cumpridos em dois estados
Durante a Operação Serpens, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo e Marabá, no Pará. A Justiça também expediu dois mandados de prisão temporária, com duração inicial de 30 dias, podendo ser prorrogados pelo mesmo período.