Enquanto moradores de Nova Mamoré enfrentam dificuldades para manter o orçamento doméstico e lidam com problemas recorrentes em áreas como saúde, infraestrutura e custo de vida, os gastos do Legislativo municipal chamam a atenção e geram questionamentos. Somente em 2025, a Câmara de Vereadores do município consumiu mais de R$ 2,3 milhões em despesas com salários, auxílios, diárias e passagens.
Localizada na fronteira com a Bolívia e vizinha de Guajará-Mirim, Nova Mamoré tem cerca de 28,7 mil habitantes, segundo dados do IBGE, e uma renda média de aproximadamente R$ 2.300 por trabalhador formal. Mesmo diante dessa realidade, os custos do parlamento municipal se equiparam aos de cidades bem maiores.
Atualmente, o Legislativo local é composto por 11 vereadores. Cada parlamentar recebe salário mensal de R$ 10 mil, com exceção do presidente da Câmara, Adalto Ferreira da Silva, que recebe R$ 10.400. Além disso, todos têm direito a auxílio mensal de R$ 1.650 destinado a despesas com alimentação e saúde.
Somados salários, auxílios, férias e gratificações, o custo com os parlamentares chegou a R$ 1.671.150 apenas em 2025, sem contar gastos com deslocamentos. As despesas com diárias totalizaram R$ 552.455, sendo R$ 435 mil utilizados exclusivamente pelos vereadores. Já os gastos com passagens somaram R$ 161.727,61, elevando o valor total das viagens para R$ 714.182,62.
Com isso, o custo total do Legislativo municipal alcançou R$ 2.385.332,62 no ano. Um dos pontos que mais chama atenção é o valor das diárias para deslocamentos relativamente curtos, como viagens a Rio Branco, no Acre, distante cerca de 400 quilômetros, que chegaram a custar até R$ 8 mil por parlamentar.
Levantamento aponta o ranking dos vereadores que mais gastaram com diárias:
- Francisco Célio Brito (PL) – R$ 61.800
- Adalto Ferreira da Silva (União Brasil) – R$ 58.500
- Toinho Barroso (União Brasil) – R$ 48.600
- Fábio dos Santos – R$ 44.700
- Jefferson Climaco – R$ 42.300
- Sargento Milton – R$ 39.600
- André Luiz Abner – R$ 36.900
- Claudiomir Rodrigues – R$ 35.400
- Joaldo Santos – R$ 23.700
- Jair Alves Oliveira – R$ 21.900
- Jocimar Maulaz – R$ 19.500
Apesar dos valores expressivos, a Câmara realiza apenas uma sessão ordinária por semana e conta com dois recessos ao longo do ano. Diante desse cenário, moradores cobram mais transparência e resultados concretos, especialmente em áreas essenciais que impactam diretamente a qualidade de vida da população.
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