Advogado de Filipe Martins diz que prisão é ‘sem motivo’ e acusa Moraes de vingança

Redação Portal Norte

O advogado Jeffrey Chiquini afirmou que a prisão do ex-assessor de Assuntos Internacionais do governo de Jair Bolsonaro, Filipe Martins, é uma medida “sem motivo” e classificou a decisão como um ato de “vingança” por parte do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). 

A declaração foi feita em vídeo divulgado nas redes sociais após a ação da Polícia Federal, realizada nesta sexta-feira (2), por ordem do magistrado.

Segundo Chiquini, a detenção não pode sequer ser chamada de prisão preventiva, uma vez que, de acordo com ele, não houve descumprimento de nenhuma medida cautelar. 

“Felipe Martins estava cumprindo de forma exemplar, segundo o próprio ministro Alexandre de Moraes, todas as cautelares determinadas. Está há mais de 600 dias cumprindo todas as ordens judiciais e nunca recebeu qualquer advertência”, afirmou.

O advogado relembrou que Martins já havia sido preso anteriormente por uma viagem internacional que, segundo a defesa, nunca ocorreu. “Há dois anos, ele foi preso por uma viagem que não fez. Mesmo após provar que não viajou, permaneceu preso por mais seis meses”, disse. 

Chiquini também mencionou a prisão domiciliar imposta ao ex-assessor no fim de 2025, que, segundo ele, ocorreu “por culpa de terceiro”.

Na avaliação da defesa, a nova prisão representa o início antecipado do cumprimento de pena, apesar de ainda haver recursos pendentes. 

“Mesmo tendo recursos da condenação, o ministro já determinou o que chama de prisão. Isso é o início do cumprimento da pena”, declarou. 

Para o advogado, “não importa provar inocência ou cumprir as cautelares. A decisão acontece da forma e na hora que Alexandre de Moraes quer”.

Chiquini afirmou ainda que a prisão faz parte de um processo de perseguição política. “Felipe Martins não foi preso por algo que fez, mas por quem ele é. Hoje, dia 2 de janeiro de 2026, ele foi preso por ser Felipe Martins”, disse, ao classificar o ex-assessor como “preso político”. 

Segundo ele, o STF estaria colocando em prática um objetivo que, na visão da defesa, existe desde 2019: prender Martins por sua atuação no governo Bolsonaro.

O advogado também criticou o que chamou de ausência de devido processo legal, destacando que a defesa já apresentou mais de dez recursos ao longo do processo, muitos ainda sem análise. 

“Não importa quantas provas mostremos. O objetivo era eliminar Bolsonaro, seus aliados e, agora, Felipe Martins”, afirmou.

Ao final do pronunciamento, Chiquini disse que a equipe jurídica ainda vai definir os próximos passos e não descartou novos recursos, inclusive ao próprio ministro Alexandre de Moraes. “Não vamos jogar a toalha. Vamos continuar lutando por justiça e por liberdade”, concluiu.