Dados do Banco Central (BC) indicam que, desde 2020, a autoridade monetária aplicou R$ 28,4 milhões em multas a instituições financeiras por infrações relacionadas à lavagem de dinheiro. As sanções envolvem, principalmente, falhas em mecanismos de prevenção e na comunicação de operações suspeitas.
As informações foram obtidas por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). De acordo com o BC, entre 2020 e julho de 2025 foram aplicadas 31 multas, das quais apenas cinco foram quitadas até o momento.
O Banco Master, citado em investigações envolvendo esquemas de lavagem de dinheiro, foi autuado duas vezes em 2020. As penalidades, motivadas por deficiências nos controles internos e por infrações a normas cambiais e de prevenção à lavagem de dinheiro, somam quase R$ 1 milhão e foram parceladas junto à Procuradoria-Geral do Banco Central.
Outro caso é o do Banrisul, autuado em 2023. A multa, superior a R$ 2,3 milhões, já foi paga e, segundo o BC, decorreu do descumprimento de prazos para envio de informações, inobservância de boas práticas bancárias e falhas relacionadas à prevenção à lavagem de dinheiro.
O Banco Paulista também aparece na relação, com multa superior a R$ 9 milhões, aplicada por controles internos deficientes, atraso ou omissão no fornecimento de informações ao BC, descumprimento de deveres legais e estatutários de conselhos e infrações ligadas à lavagem de dinheiro. O valor foi integralmente quitado.
As demais instituições multadas são, em sua maioria, corretoras de câmbio, algumas das quais já tiveram falência decretada. Segundo o BC, os valores correspondem exclusivamente a multas aplicadas às pessoas jurídicas supervisionadas, com base no artigo 12 da Lei nº 9.613/1998, que trata dos crimes de lavagem de dinheiro, e não incluem sanções decorrentes de outros processos administrativos.
Quando constatadas infrações, o Banco Central pode aplicar penalidades que vão desde admoestação pública e multas até a proibição de prestação de serviços ou realização de determinadas operações, inabilitação de dirigentes e cassação da autorização de funcionamento.
Para definir as sanções, a autoridade monetária leva em conta a capacidade econômica do infrator, o grau de lesão ou risco ao Sistema Financeiro Nacional (SFN), ao Sistema de Consórcios e ao Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), além do nível de reprovabilidade da conduta, do volume das operações irregulares, da duração ou reincidência das infrações e dos antecedentes da instituição.
O BC informou que a fiscalização ocorre por meio de monitoramento contínuo e ações de supervisão direta, adotando o modelo de supervisão baseada no risco, em linha com recomendações internacionais. Segundo a autarquia, as medidas variam de reuniões e termos de comparecimento até multas, medidas coercitivas, preventivas e processos administrativos sancionadores.
O órgão ressaltou ainda que as ações de supervisão têm como objetivo confirmar irregularidades, avaliar seus impactos, reunir evidências e definir a medida mais adequada, sempre de forma isenta e imparcial, com base em análises técnicas realizadas ao longo do tempo.
Valores das multas aplicadas:
- Banco Master: R$ 500 mil
- Banco Master: R$ 428 mil
- Banco Paulista: R$ 9 milhões
- Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul): R$ 2,1 milhões
- Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul): R$ 268 mil
Em nota, o Banco Paulista afirmou que não comenta ações do Banco Central, mas destacou que vem ampliando, ano após ano, os investimentos em controles internos, especialmente na área de compliance. Procurados, o Banco Master e o Banrisul não se manifestaram.
*Com informações de Metrópoles