O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), determinou, na noite desta segunda-feira (9), a retirada de todos os jornalistas do plenário e demais dependências de imprensa da Casa para que a Polícia Legislativa atuasse na remoção forçada do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ).
O parlamentar ocupou a cadeira da Presidência em protesto contra a votação de sua cassação, que, segundo ele, estaria sendo conduzida de forma “forjada”.
A deputada Sâmia Bonfim (PSOL-SP), esposa de Glauber, também estava no local e deve ser alvo de remoção pela equipe de segurança.
Glauber Braga assumiu a cadeira da Presidência como forma de resistência à sessão que prevê a análise de seu mandato.
A tensão aumentou quando Motta ordenou a retirada da imprensa, permitindo que a Polícia Legislativa atuasse sem registro audiovisual de veículos independentes.
Parlamentares presentes relataram que policiais cercaram a Mesa Diretora e começaram os procedimentos para retirar Glauber fisicamente do assento.
Assista ao vídeo:
Comparação com episódio envolvendo bolsonaristas
A reação de Motta gerou críticas entre deputados de oposição, que lembraram episódio ocorrido há quatro meses, quando um grupo de bolsonaristas ocupou a Mesa Diretora da Câmara para pressionar pela votação do PL da Anistia.
Na ocasião, Motta não acionou qualquer força de segurança e permitiu que o grupo permanecesse no local por mais de 36 horas. A solução só foi encaminhada após intervenção do ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).
A crise se agravou quando o sinal da TV Câmara foi interrompido por determinação de Hugo Motta, impedindo a transmissão ao vivo da sessão e da movimentação em torno da Mesa. A câmera posicionada pela GloboNews nas tribunas também foi retirada por policiais.
Parlamentares afirmaram que a medida restringe a transparência e impede que a população acompanhe a condução do processo de cassação e os desdobramentos do protesto.