O Alto Solimões, no sudoeste do Amazonas, tornou-se um dos principais pontos de escoamento do tráfico internacional na Amazônia. A conclusão faz parte do relatório Cartografias da Violência na Amazônia, divulgado nesta quarta-feira (19).
A disputa entre o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) tem ampliado a tensão na região, que reúne 281 mil moradores — grande parte composta por povos indígenas — e enfrenta graves indicadores sociais, como alta dependência de programas assistenciais e baixa oferta de emprego.
Rearranjo das facções após o fim da FDN
O enfraquecimento da Família do Norte (FDN), que perdeu força após prisões, rupturas internas e massacres no sistema prisional, abriu caminho para a ascensão do CV no Amazonas a partir de 2018.
Com isso, áreas antes controladas pela facção local passaram a ser disputadas pelo PCC, que busca ampliar acesso às rotas internacionais que atravessam Brasil, Colômbia e Peru.
Tríplice fronteira impulsiona rota internacional da cocaína
A tríplice fronteira é hoje um dos principais corredores de produção e circulação de cocaína na América do Sul. Nesse contexto, a Rota do Solimões se tornou essencial para grupos criminosos.
Como atuam as facções na região:
- PCC: utiliza pistas clandestinas em áreas de garimpo e dentro de unidades de conservação para ampliar o acesso a rotas terrestres e aéreas.
- CV: domina o fluxo pelo Rio Solimões, usando o percurso natural do rio para transportar cargas ilícitas e consolidar controle territorial.
O estudo aponta a calha do Solimões como um eixo onde a presença das facções altera a rotina dos moradores e eleva o risco de confrontos armados.
Municípios mais afetados
Tabatinga, Benjamin Constant, Atalaia do Norte e São Paulo de Olivença enfrentam forte influência do crime, circulação intensa de drogas e aumento da violência. Cidades menores — como Tonantins, Fonte Boa e Jutaí — funcionam como rotas alternativas.
A fronteira seca entre Tabatinga e Letícia permite circulação livre de pessoas e mercadorias. A droga produzida no Peru e na Colômbia converge para o Solimões e segue para Manaus. Facções usam lanchas rápidas, barcos adaptados e trilhas na mata para transportar cocaína, ouro, madeira e pescado ilegal.