A nomeação do prefeito Augusto Ferraz (União Brasil) para comandar a Secretaria Municipal de Cultura voltou a gerar indignação após o episódio de intimidação à equipe da TV Norte, SBT Amazonas, durante uma entrevista sobre o lixão do município.
O responsável pela conduta hostil foi o próprio secretário de Cultura, Moisés Lopes de Souza — que, além de secretário, segue atuando como motorista pessoal do prefeito, sem qualquer formação ou experiência na área cultural.
O caso reforça denúncias de que a Cultura em Iranduba virou cabide de emprego e expõe novamente a falta de critérios técnicos na escolha de gestores da administração municipal.
Motorista e secretário ao mesmo tempo
Mesmo ocupando um dos cargos mais estratégicos para o desenvolvimento cultural do município, Moisés Lopes não possui formação, experiência ou histórico de atuação em políticas culturais, gestão de patrimônio, produção artística ou economia criativa.
Ainda assim, ele acumula simultaneamente as funções de motorista de confiança do prefeito e secretário municipal de Cultura, situação que tem sido alvo de críticas pela completa ausência de preparo técnico e pela descaracterização da pasta.
A nomeação ocorreu em 02 de maio de 2023, em cargo comissionado CC-01, com salário mensal de R$ 12.495. Moisés não é servidor efetivo e ocupa o cargo exclusivamente por indicação política.
Em suas redes sociais, afirma ser bacharel em Direito e pós-graduado em Perícia Criminal — qualificações que, embora válidas, não têm qualquer ligação com políticas culturais.
O Portal Norte entrou em contato com a Casa Civil para entender os critérios de escolha para a pasta. Até o momento não obteve resposta, mas o espaço segue aberto para manifestação.
Secretário-motorista tenta intimidar equipe da TV Norte, SBT Amazonas
As críticas à escolha de Ferraz se intensificaram após um episódio grave contra profissionais de comunicação.
Durante uma entrevista dada pelo prefeito à TV Norte, SBT Amazonas sobre o lixão de Iranduba, Moisés Lopes passou a filmar insistentemente o cinegrafista da emissora, atrapalhando a captação das imagens, criando um ambiente hostil e tentando constranger os profissionais no pleno exercício da função.
A atitude foi interpretada como uma tentativa explícita de intimidação à equipe liderada pelo jornalista Clayton Pascarelli.
O incidente ocorreu exatamente no momento em que o prefeito demonstrava dificuldade para responder questionamentos sobre o uso de recursos públicos no lixão, reforçando a percepção de que o secretário agiu para tentar controlar, inibir e desestabilizar a atuação da imprensa.
Cultura entregue ao improviso e ao uso político
Entregar a Cultura a alguém que acumula o cargo com o de motorista, sem nenhuma qualificação na área e agora envolvido em um episódio de intimidação contra jornalistas, aprofundou o desgaste da gestão Ferraz, já marcada por decisões pouco transparentes e sem critério técnico.
Para artistas, produtores e moradores, o caso apenas confirma o que já vinha sendo denunciado há meses: a Cultura em Iranduba virou cabide de emprego, usada para acomodar aliados pessoais do prefeito, enquanto o setor permanece sem projetos, sem investimentos estruturantes e sem políticas públicas reais.