MPRR arquiva denúncia de fraude em cotas do vestibular de Medicina da UERR

Redação Portal Norte

O Ministério Público de Roraima (MPRR) encerrou a investigação sobre uma suposta fraude no sistema de cotas para pessoas com deficiência no vestibular de Medicina da Universidade Estadual de Roraima (UERR).

A promotora Érika Lima Gomes Michetti assinou a decisão que determinou o arquivamento do caso, após constatar que não houve irregularidades no processo seletivo.

A apuração teve início a partir de uma denúncia encaminhada à Ouvidoria-Geral do MPRR, que solicitou explicações à universidade.

A UERR respondeu que reservou 10% das vagas de cada curso para candidatos com deficiência, conforme o edital, e que uma junta multiprofissional avaliou todos os concorrentes.

Universidade comprova lisura do processo

A UERR reforçou que não encontrou indícios de fraude durante a homologação das matrículas. Segundo a instituição, a adesão às cotas é uma escolha voluntária do candidato, sem qualquer tipo de imposição.

A comissão responsável registrou as avaliações em atas e pareceres internos, o que, segundo o MPRR, comprova a transparência e a regularidade do processo seletivo.

Contudo, como o denunciante não apresentou novos elementos dentro do prazo estabelecido, o Ministério Público decidiu arquivar definitivamente o caso.

Alvo de investigações

Apesar disso, a UERR segue envolvida em outras investigações que apuram supostas fraudes em vestibulares e concursos públicos.

Em outubro, o ex-reitor Regys Freitas, que comandou a instituição entre 2015 e 2023, foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF).

Os investigadores apontam que Regys teria atuado para beneficiar dois candidatos em um concurso público de 2022, uma mulher que se tornaria sua atual esposa e um amigo servidor da universidade.

Em outro inquérito, a PF apura a possível interferência do ex-reitor na aprovação da filha de uma autoridade estadual no vestibular de Medicina.

A defesa de Regys Freitas negou as acusações e afirmou que todos os citados “foram aprovados por mérito, conforme os critérios legais”.

Atual gestão se posiciona

A UERR informou, em nota, que as gestões anteriores cometeram os fatos sob investigação e que o atual reitor, Cláudio Delicato, embora atuasse como vice-reitor na época, não participou nem teve conhecimento das práticas investigadas.

Com o arquivamento da denúncia das cotas, o MPRR segue acompanhando as investigações sobre possíveis desvios da antiga gestão da UERR.