Operação Sutura investiga fraudes no IPAM; Prefeito diz que denúncia partiu da gestão atual

Redação Portal Norte

Durante coletiva de imprensa realizada na manhã desta sexta-feira (16), no Complexo da Polícia Civil, o prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, afirmou que a atual gestão foi responsável por denunciar indícios de fraudes no Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores Municipais (IPAM). As informações repassadas pelo município resultaram na deflagração da Operação Sutura, conduzida pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco).

A operação foi desencadeada nas primeiras horas do dia e teve como alvo um esquema criminoso que teria atuado durante a gestão anterior, no ano de 2024. Segundo as investigações, uma clínica de fonoaudiologia, credenciada apenas para a prestação de serviços básicos de saúde, passou a faturar procedimentos cirúrgicos de alta complexidade, em desacordo com os termos contratuais firmados com o IPAM.

Além do desvio de finalidade, a polícia apurou a prática de superfaturamento e irregularidades graves, como a cobrança repetida de procedimentos impossíveis de serem realizados. Entre os exemplos citados está o faturamento de uma cirurgia de retirada de útero por cinco vezes para uma mesma paciente, situação considerada humanamente inviável.

O delegado responsável pela investigação, Rondinelli Moreira, detalhou a ação policial. “Hoje estamos deflagrando a operação Sutura, foram cumpridas as medidas em Porto Velho e Guajará-Mirim, foram 14 medidas cautelares de busca e apreensão, além do afastamento dos servidores públicos envolvidos no caso.”

Ao todo, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão nos municípios de Porto Velho e Guajará-Mirim, além de medidas judiciais que determinaram o afastamento de agentes públicos, o sequestro e a indisponibilidade de bens, com o objetivo de garantir a reparação dos danos causados aos cofres públicos. Entre os alvos da operação está o ex-diretor do IPAM, Ivan Furtado de Oliveira.

Durante a coletiva, o prefeito Léo Moraes ressaltou que a denúncia partiu da própria administração municipal. “Nós fizemos essa denúncia no final do ano passado, com suspeita de irregularidades, contratamos uma empresa de auditoria pra elencar essas informações, pra ter elementos fáticos sobre toda essa situação. E hoje a operação ostensiva da Polícia Civil, inclusive sobre ex-dirigentes na gestão anterior, foi uma operação de investigação sobre o ano de 2024 e nós estamos tendo muito rigor e, caso tenha algum fragmento ou uma consequência atual, certamente nossa auditoria vai conseguir constatar e checar”, disse o prefeito.