A cegueira infantil ainda é um grave problema de saúde pública no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) 1,4 milhão de crianças estão cegas, sendo a maioria em países em desenvolvimento ou muito pobres.
A cada ano, cerca de 500 mil novas crianças perdem a visão, e quase 60% delas não sobrevivem em razão das mesmas causas que as deixaram cegas.
Por outro lado, estudos indicam que 80% dos casos poderiam ser prevenidos ou tratados com diagnóstico precoce e acompanhamento adequado.
Sintomas que exigem atenção
De acordo com a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP), pais e educadores devem estar atentos a sinais como:
- dificuldade no aprendizado ou desinteresse escolar;
- inclinar muito a cabeça ou fechar um dos olhos;
- apertar os olhos para enxergar;
- olhos vermelhos ou com coceira;
- desvio ocular após os 4 meses de idade;
- dor de cabeça frequente;
- necessidade de se aproximar muito de livros, quadro ou televisão.
Importância do diagnóstico precoce
A visão se desenvolve desde a gestação até cerca dos 7 anos de idade, por isso, identificar precocemente qualquer alteração pode evitar sequelas permanentes.
Um dos fatores que impactam diretamente a saúde ocular é o tempo excessivo em frente a telas. A SBOP recomenda:
- até 2 anos: não expor a telas;
- 2 a 5 anos: no máximo 1 hora por dia;
- 6 a 10 anos: até 2 horas por dia;
- 11 a 18 anos: até 2 a 3 horas diárias.
Dicas de prevenção e cuidados
A entidade orienta ainda o uso da regra 20-20-20: a cada 20 minutos de tela, olhar para um ponto distante (cerca de 6 metros) por 20 segundos.
Atividades ao ar livre por pelo menos 2 horas diárias também são recomendadas.
Problemas de visão não tratados podem comprometer o desempenho escolar, limitar escolhas profissionais no futuro e afetar a autoestima e a socialização das crianças.
A oftalmologista Júlia Rossetto, presidente da SBOP, reforça que a prevenção deve começar cedo. “Quanto mais cedo a alteração for detectada, maior a chance de tratar e preservar a visão da criança”, destaca.