Policiais conduziram mulher indígena da etnia Yanomami à Delegacia na manhã da última segunda-feira (21), após ela enterrar a filha recém-nascida em terreno baldio em frente à entrada da Feira do Produtor Rural, no bairro São Vicente, zona Sul de Boa Vista.
A Polícia Militar de Roraima (PMRR) encontrou o corpo da criança enrolado em um pano, dentro de uma cova rasa em meio ao matagal e a equipe do IML removeu o corpo da menina para realizar os exames periciais.
Mãe relatou sintomas semelhantes à pneumonia
Segundo informações da PMRR, a mãe da bebê contou aos policiais que a criança apresentava tosse intensa e sintomas semelhantes aos da pneumonia. Como dormiam ao relento, a situação teria se agravado.
Pela manhã, a mãe percebeu que a filha não apresentava mais sinais vitais. Duas horas depois, ela decidiu enterrá-la no terreno baldio próximo ao acampamento improvisado.
A denúncia partiu de uma testemunha que, informada por parentes da mulher, acionou a PM. Os policiais, com apoio de outros indígenas, localizaram a cova onde a recém-nascida estava enterrada.
Funai confirma acompanhamento da família
Em nota, Funai informou que Luciana Yanomami e sua filha eram acompanhadas pela Força-Tarefa de Desenvolvimento Sustentável Yanomami e Ye’kwana (FTYY), voltada para indígenas em vulnerabilidade.
No entanto, a Funai explicou que, desde 16 de junho, equipes técnicas atuam com a família por meio de ações de proteção social, distribuição de alimentos e encaminhamentos à rede de atendimento médico e assistencial.
Além disso, a instituição informou que a mãe ocultou a gravidez, prática comum na cultura Yanomami, e realizou o parto no próprio acampamento.
Conflitos culturais e dificuldades no atendimento
A Funai informou que o grupo de Luciana já resistiu a atendimentos médicos e agrediu profissionais de saúde e servidores da fundação. Segundo a instituição, essas barreiras culturais, segundo a autarquia, dificultam o acompanhamento mais próximo e eficaz.
A PM destacou que as condições insalubres do local agravam a vulnerabilidade social e sanitária da comunidade indígena.
Medidas para evitar novos casos
Em suma, a Funai afirmou que seguirá articulando políticas públicas, fortalecendo redes de proteção e monitorando os Yanomami em áreas urbanas.
O caso segue sob investigação da Delegacia Geral de Homicídios e, enquanto isso, a Polícia aguarda os laudos do IML para confirmar as causas da morte da criança.