Uiramutã decreta emergência após cheias isolarem mais de 8 mil moradores

Redação Portal Norte

A Prefeitura de Uiramutã decretou, na última quinta-feira (10), situação de emergência por 180 dias, com validade até 5 de janeiro de 2026.

O município mais indígena do Brasil, por sua vez, enfrenta uma grave crise climática. Como resultado das chuvas intensas, mais de 8.300 moradores ficaram isolados, uma vez que as cheias destruíram pontes e bloquearam estradas.

Diante da situação, o decreto do prefeito Tuxaua Benisio (Rede) autoriza, primeiramente, a realização de ações emergenciais sem a necessidade de licitação. Além disso, mobiliza órgãos públicos e permite, se necessário, o acesso a propriedades privadas para resgates e desapropriações.

A situação é particularmente crítica em 18 comunidades indígenas e vicinais, incluindo Caracanã, Serra do Sol, Arikamã, Pipi, Mutum e Água Fria.

Atualmente, mais de 60% da população local, composta por 13.751 habitantes, dos quais 96% são indígenas, encontra-se, portanto, sem possibilidade de deslocamento.

Impacto das chuvas

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), choveu entre 900 e 1.000 milímetros nos últimos 90 dias. 

A precipitação volumosa resultou em alagamentos severos e colapso da infraestrutura, afetando não apenas a mobilidade, mas também o abastecimento de água potável, o transporte escolar e o escoamento da produção agrícola.

Na comunidade indígena Willimon, a cheia do igarapé Woosa destruiu uma ponte fundamental para o acesso à região, prejudicando diretamente 3.583 pessoas. 

A estrutura era usada para transporte de estudantes e escoamento de alimentos, porém as atividades estão interrompidas. 

Como alternativa, moradores têm recorrido a rotas improvisadas e perigosas, agravando o risco de acidentes e dificultando o acesso a serviços de saúde.

Medidas imediatas

A prefeitura já iniciou ações emergenciais coordenadas pela Defesa Civil Municipal, com apoio da Secretaria Municipal de Obras, Sefinfra e Defesa Civil Estadual, liderada pelo coronel Cidinei Lima. 

Está prevista a construção de uma nova ponte de madeira de 10 metros, orçada em mais de R$ 200 mil com recursos próprios.

Além disso, o decreto autoriza a convocação de voluntários, realização de campanhas de arrecadação e entrada emergencial em áreas privadas para garantir salvamentos e evacuações.

Comunidades afetadas

Conforme levantamento da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil, o isolamento atinge as seguintes localidades:

  • Caracanã e entorno (15 comunidades): 5.611 pessoas
  • Mutum: 1.733 pessoas
  • Água Fria: cerca de 990 pessoas

O desafio da temporada chuvosa

Localizado na tríplice fronteira com Venezuela e Guiana, Uiramutã é o município mais indígena do Brasil, abrigando 13.283 indígenas. 

Sua posição geográfica remota e a dependência de infraestrutura vulnerável agravam os impactos das enchentes, que se repetem todos os anos com a chegada da temporada chuvosa.

A Defesa Civil já classificou o município como “a situação mais crítica do estado”, ressaltando que o restabelecimento das estradas vicinais e do transporte escolar é urgente. 

Até lá, milhares de famílias seguem isoladas, à espera de ações efetivas para garantir segurança e acesso a serviços básicos.