‘Iam matar por indução’: grávida denuncia erro médico após ser informada de morte de bebê em maternidade de Manaus

Redação Portal Norte

Uma grávida viveu momentos de desespero, após ser informada por profissionais da maternidade Moura Tapajóz, na zona Oeste de Manaus, de que seu bebê estaria sem vida, informação que, horas depois, foi desmentida por outra unidade de saúde.

Segundo relato da esteticista Jéssica Araújo, de 32 anos e grávida de 29 semanas, ela deu entrada na noite da última terça-feira (8), na maternidade por volta das 19h com fortes dores pélvicas.

Grávida denuncia maternidade em Manaus

Jéssica relatou que o atendimento foi demorado desde a recepção até a triagem. Ao ser encaminhada ao consultório médico, foi examinada por uma profissional que, ao realizar o exame de toque, não identificou alterações no útero.

No entanto, ao tentar escutar os batimentos cardíacos do bebê, a médica não conseguiu localizar os sinais vitais e solicitou exames de sangue, urina e uma ultrassonografia.

A gestante relata que foi impedida de ter a presença da acompanhante durante a realização da ultrassonografia.

Segundo ela, o médico responsável pelo exame anunciou o óbito fetal em menos de cinco minutos de avaliação. A médica que a havia atendido anteriormente teria entrado na sala e confirmado a suspeita: “Ela disse que já sabia e que só precisava da confirmação”, disse a paciente.

Internação para induzir o parto

Diante do diagnóstico, a médica prescreveu imediatamente a internação para indução do parto. A gestante, em estado de choque, recebeu uma medicação para estabilização.

Apesar disso, momentos depois, comunicou a um técnico de enfermagem que sentia o bebê se mexer. Ao ser informada, a médica teria desconsiderado o relato, atribuindo os movimentos a gases intestinais.

Sem leitos disponíveis na Moura Tapajóz, a gestante ficou horas aguardando na triagem com acesso venoso instalado e trajando bata hospitalar.

Grávida denuncia maternidade em Manaus
Laudo do óbito fetal emitido na maternidade – Foto: Reprodução/jessicaaraujob.

Ao questionar se poderia buscar atendimento em outra unidade, foi informada de que teria de ir por conta própria e que não poderia levar os exames realizados. Ela então solicitou uma foto do laudo de óbito e se dirigiu à maternidade Ana Braga, na zona Leste da cidade.

Atendimento em outra maternidade

Na nova unidade, foi prontamente atendida. O médico plantonista estranhou o útero ainda fechado e a ausência de sangramento, sinais incompatíveis com a confirmação de um óbito fetal.

Ultrassom feita em outra maternidade – Foto: Reprodução/jessicaaraujob.

Ao averiguar os batimentos cardíacos do bebê, veio a surpresa: o coração da criança batia normalmente.

Veja o vídeo:

“Foi nesse momento que meu coração quase saiu pela boca. Ouvi o coração do meu filho batendo normalmente”, disse, emocionada.

Nota

A Secretaria Municipal de Saúde de Manaus (Semsa) informou, por meio de nota, que tomará todas as medidas cabíveis para apuração rigorosa do ocorrido, a fim de identificar com precisão o que motivou a divergência entre os exames realizados.

“Ressaltamos que todo o atendimento prestado à paciente seguiu rigorosamente os protocolos clínicos estabelecidos pela unidade, que há mais de duas décadas orienta a prática segura e ética daquela equipe multiprofissional. Não foi registrada nenhuma intercorrência durante o atendimento médico”

A gestante, que decidiu tornar o caso público, ressalta que busca justiça para que outras mulheres não passem pela mesma situação.

“É uma dor inexplicável. Me disseram que meu filho estava morto. Se eu tivesse aceitado, ele poderia realmente não estar mais aqui hoje”, declarou.