Os transtornos de ansiedade e depressão foram as principais causas de afastamento do trabalho no Acre em 2024, totalizando mais de 280 registros.
Um levantamento exclusivo do Ministério da Previdência, solicitado pelo g1, revelou que a ansiedade foi responsável por 164 licenças, enquanto a depressão, que tem sinais ainda muito ignorados, gerou 124 afastamentos.
Os dados consideram o número de licenças concedidas, e não a quantidade de trabalhadores afastados, já que uma mesma pessoa pode se ausentar mais de uma vez. Além disso, o transtorno bipolar também impactou significativamente a força de trabalho, com 91 afastamentos.
No total, 519 licenças foram concedidas por questões de saúde mental ao longo do ano.
Pressão no ambiente de trabalho aumenta casos
O psicólogo Arife Calacina explica que o ritmo acelerado da globalização e a demanda crescente por respostas imediatas no ambiente profissional têm intensificado a pressão sobre os trabalhadores.
Esse cenário, segundo ele, contribui para o aumento dos casos de ansiedade e depressão, potencializando os sintomas e levando ao afastamento. A depressão acomete 4 a cada dez jovens no mundo atualmente, e no Acre a situação não é muito diferente.
“O ambiente de trabalho, em vários setores da economia, se tornou bastante estressante, o que, inclusive prejudica a qualidade das relações interpessoais, algo que poderia funcionar como ponto de alívio, mas que, na prática, não funciona muito bem, porque a concorrência está presente tanto fora quanto dentro daquele ambiente”, avalia.