O preço do café deve continuar subindo nas próximas semanas, pelo menos até a safra deste ano, que começa a ser colhida por volta de abril ou maio.
A previsão é da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic). A principal causa do aumento nos preços são os eventos climáticos, que influenciam na safra do grão.
Além disso, o aumento do consumo do café em todo o mundo, além da chegada da China como novo mercado consumidor global são fatores que influenciam.
Segundo a entidade, os valores tendem a se estabilizar em três meses, mas a queda de preços só deverá acontecer a partir da safra do próximo ano.
Os consumidores têm observado uma alta de preços nos alimentos nas primeiras semanas de janeiro.
Além do café, laranja, café, açúcar e óleo de soja são os itens no topo da lista de preocupações do governo.
O aumento no preço dos alimentos têm afetado a popularidade de Lula, que busca medidas para enfrentar a inflação.
O que explica esse aumento?
O aumento no preço do café vem sendo observado desde novembro do ano passado.
Desde 2020, a safra brasileira têm sido afetada por fatores climáticos, como geadas, o El Niño, longas estiagens e altas temperaturas.
“Esse acúmulo de quatro anos de problemas climáticos e o crescimento da demanda global dão a explicação dessa escalada de preços no café”, explicou o presidente da Abic, Pavel Cardoso.
A previsão é que a colheita da safra deste ano seja menor que a do ano passado.
Segundo a Abic, diante desses problemas climáticos, os produtores precisaram aumentar os gastos para a produção.
Com isso, o custo da matéria-prima subiu. A indústria teve aumentos superiores a 200% e teve que repassar parte disso, em torno de 38%, ao consumidor.
Todos esses fatores acabaram contribuindo para a alta dos preços da commodity nas bolsas internacionais, o que também traz reflexos para o bolso do consumidor.
Estimativas
A Abic espera que a safra deste ano, que começa a ser colhida em abril, ajude a estabilizar os preços.
O setor também tem uma grande expectativa para a safra do ano que vem, que pode bater o recorde de 2020, ajudando a ampliar a oferta e diminuir os preços do produto.
Enquanto isso não ocorre, o consumidor ainda deve sofrer com o aumento no café já que a indústria ainda tem repasses a fazer pelo seu alto custo.
Brasil e o café
O consumo da bebida no Brasil entre novembro de 2023 e outubro de 2024 cresceu 1,11% em relação ao ano anterior, segundo dados divulgados pela Abic nesta quarta-feira (5).
O Brasil é o principal exportador mundial de café no mundo, representando quase 40% da produção mundial, seguido pelo Vietnã (em torno de 17%) e pela Colômbia.
Os brasileiros também são os segundos maiores consumidores mundiais de café, tendo consumido 21,916 milhões de sacas em 2024, quantidade abaixo apenas dos Estados Unidos
*Com informações da Agência Brasil