Ministro José Múcio estaria cogitando deixar a Defesa

Redação Portal Norte

José Múcio Monteiro, ministro da Defesa, estaria considerando deixar o cargo por vontade própria, apesar da reforma ministerial prevista para ocorrer entre fevereiro e março de 2025, de acordo com a coluna do jornalista Lauro Jardim.

Ainda segundo o jornalista, Múcio estaria cansado e insatisfeito com a situação, e teria expressado o desejo de se afastar antes desse prazo, para que sua saída não seja associada às mudanças políticas do governo.

Com isso, um dos nomes cotados para ocupar o cargo é o do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).

O anúncio de sua possível saída acende um sinal de alerta no Planalto, especialmente entre as Forças Armadas.

A cúpula militar teme que a saída de Múcio reabra um processo de reconstrução da confiança entre o governo federal e os militares, o que exigiria tempo e cuidado, além da troca da equipe que atualmente mantém uma relação ajustada com o comando das Forças.

José Múcio tem sido visto como um elo importante entre as Forças Armadas e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, consolidando negociações e acordos entre as partes.

Sua saída, portanto, poderia afetar a estabilidade das relações militares e exigir uma reconstrução das dinâmicas internas do Ministério da Defesa.

Em conversas recentes, Múcio compartilhou com aliados que acredita que a relação entre o governo e as Forças Armadas sofreu retrocessos, principalmente devido ao corte de gastos proposto pelo Ministério da Fazenda, que atingiu o orçamento das Forças, e ao indiciamento de militares em um inquérito sobre a suposta trama golpista de Jair Bolsonaro.

As tensões aumentaram com a prisão de dois generais e a publicação de um vídeo da Marinha que criticava o pacote fiscal.

O vídeo da Marinha, foi interpretado como um sinal de escalada das tensões e alguns integrantes das Forças Armadas, acreditam que a gravação pode ter sido a gota d’água para o ministro cogitar a saída do cargo.

Múcia passará duas semanas de recesso em Recife, e dentro das Forças há a esperança de que ele repense sua decisão.

Contudo, a expectativa é que o ministro permaneça no cargo por pelo menos mais dois anos, e ainda não há um nome claro para sua possível substituição.