CNJ investiga desembargador e juiz no Tocantins por venda de sentenças e enriquecimento ilícito

Redação Portal Norte

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) está investigando denúncias de corrupção que envolvem altos nomes do Judiciário tocantinense.

O desembargador Pedro Nelson de Miranda Coutinho e o juiz Jordam Jardim Silva foram afastados preventivamente após uma denúncia anônima acusá-los de fazerem parte de um esquema de venda de sentenças, lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito.

De acordo com o documento, enviado à Corregedoria Nacional de Justiça em julho de 2025, o estilo de vida dos magistrados não é compatível com seus rendimentos.

Vida de luxo sob suspeita

A denúncia aponta a construção de uma mansão de R$ 10 milhões à beira do lago de Palmas (TO) e a compra de negócios rurais por valores muito abaixo do mercado.

Ainda, foi registrada uma lancha de luxo em nome dos dois, supostamente custeada por um réu em troca de decisões favoráveis.

O denunciante anexou fotos, vídeos, extratos bancários e outros documentos para comprovar as acusações.

Conexão com caso de homicídio

As suspeitas se aprofundam com a ligação a um caso de grande repercussão: a libertação de Bruno Teixeira, condenado por homicídio em 2020.

Após ser solto, Bruno afirma ter sido cobrado em mais de R$ 1 milhão por um habeas corpus que ele não teria contratado.

A decisão de soltura foi tomada no mesmo dia em que um advogado, sem vínculo com Bruno, apresentou o pedido.

Desdobramentos da acusação

O caso ganhou um novo capítulo quando um advogado de São Paulo entrou com uma ação para cobrar sua parte no valor supostamente exigido de Bruno, citando Robson Moura e Thales André, filho do desembargador afastado.

Bruno, por sua vez, busca na justiça a devolução do dinheiro, alegando que foi pressionado e ameaçado para efetuar o pagamento.

Investigação em múltiplas frentes

Até o momento, nem o Tribunal de Justiça do Tocantins nem a Corregedoria-Geral de Justiça do estado foram notificados oficialmente sobre a investigação, mas afirmaram que estão prontos para colaborar com o CNJ.

O material da denúncia também foi enviado ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal.

Fonte: Anne Acioli