Um mês após queda da ponte JK, moradores de Aguiarnópolis (TO) têm travessia gratuita

Redação Portal Norte

Mais de um mês após a queda da ponte JK, os moradores do município de Aguiarnópolis contam com a travessia gratuita para o Maranhão, como foi prometido pelo Governo Estadual do Tocantins. O serviço de voadeiras, que são pequenos barcos para transporte de pessoas, começou na última segunda-feira (27).

Pela primeira vez desde o desmoronamento da ponte os moradores dos dois municípios de Aguiarnópolis (TO) e Estreito (MA), podem fazer a travessia em menos de 3 minutos.

Demora para realizar as travessias gratuitas

Mais de um mês após a queda da ponte JK, os moradores de Aguiarnópolis (TO) e Estreito (MA) podem contar com a travessia gratuita por meio de voadeiras, disponibilizadas pela prefeitura de Aguiarnópolis com os recursos do Governo Estadual, que estão em atividade desde segunda-feira (27).

Além disso, a Prefeitura de Estreito oferece o serviço de balsas para travessia de carros particulares dos trabalhadores dos dois municípios.

A notícia do transporte gratuito veio como um alívio, depois da decisão do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) de revogar o contrato com a empresa selecionada para o serviço de balsas na região, após a empresa não assinar o documento.

Segundo o DNIT, o contrato de balsas para ligação entre Estreito (MA) e Aguiarnópolis (TO) foi revogado devido a um “imprevisto” por parte da PIPES Empreendimento.

A revogação do documento gerou prejuízos para as comunidades locais, que têm necessidade urgente de transporte para trabalho, transporte de cargas e veículos. Mais informações sobre a revogação do contrato podem ser encontradas nessa matéria do Portal Norte.

Realidade dos moradores e ajuda financeira do governo do Tocantins

Lenilda Macedo, uma lavradora natural de Estreito mas que vive em Aguiarnópolis, é um dos exemplos de trabalhadores que precisam fazer a travessia entre os municípios todos os dias. Ela comenta que sua vida é entre as duas cidades.

Eu pagava (pela travessia), porque precisava, minha vida está entre as duas cidades. Agora, com a passagem gratuita, fica muito mais fácil começar a rotina em Aguiarnópolis

Lenilda Macedo, lavradora

Outro exemplo é a cozinheira Ana Célia Rodrigues, que mora em Aguiarnópolis mas trabalha em Estreito. Ela comenta que o desabamento da ponte deixou a população dos dois municípios isolada.

Nós, que vivemos entre as duas cidades, temos muito a celebrar. Às vezes, pagamos contas, fazemos compras e vivemos realidades entre os dois estados. Com o desabamento da ponte, ficamos isolados, o que agora não é mais realidade. Nossa situação é outra, agradeço ao Governo do Tocantins pela sensibilidade, aos poucos voltamos a nossa rotina

Ana Célia Rodrigues, cozinheira

A contratação dos serviços de travessia gratuitos ficou como responsabilidade do Estado, após uma promessa do Governador Wanderlei Barbosa. O serviço demorou mais de um mês para funcionar corretamente e como prometido.

Ao todo, foram disponibilizados R$ 300 mil para garantir o transporte pelo Rio Tocantins entre Aguiarnópolis e Estreito, dinheiro proveniente de uma emenda parlamentar destinada ao governo estadual do Tocantins.

Queda da Ponte Jk

Moradores e estudantes de Aguiarnópolis (TO) e Estreito (MA) denunciavam as péssimas condições da ponte que ligava as cidades muito antes de sua queda, que aconteceu no dia 22 de dezembro. As denúncias eram feitas nas redes sociais e até em trabalhos de escola.

Nos dias antes da queda, as cobranças de moradores para a realização de um laudo técnico da ponte se tornaram frequentes.

O Ministério Público do Tocantins (MPTO) instaurou uma investigação para apurar os impactos ambientais do desabamento da ponte JK, um dia após o desmoronamento da estrutura. Durante a queda da ponte, dois caminhões que carregavam materiais tóxicos caíram no Rio Tocantins.

Os veículos carregavam ácido sulfúrico e soda cáustica. Devido a esse fator, os bombeiros mergulhadores suspenderam imediatamente as buscas por vítimas e o poder público aconselhou contra o uso da água do rio para consumo e uso.

Para o MPTO “o desabamento da ponte representa um risco alarmante não apenas para a saúde da população, mas também para o equilíbrio ecológico da região”.

O Ministério Público instaurou providências imediatas para investigação dos impactos ambientais. O órgão já notificou o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), IBAMA, secretarias estaduais de meio ambiente, defesa civil e corpos de bombeiros do Tocantins e Maranhão.

Até o momento, 14 óbitos estão confirmados e três pessoas continuam desaparecidas.

Confira lista de vítimas resgatadas

  • Resgatado com Vida – Jairo Silva Rodrigues, 36 anos.
  • Lorena Rodrigues Ribeiro, 25 anos – corpo resgatado no domingo, 22.
  • Lohanny Cidronio de Jesus, 11 anos – corpo resgatado na terça-feira, 24.
  • Kecio Francisco Santos Lopes, 42 anos – resgatado na terça-feira, 24.
  • Andreia Maria de Sousa, 45 anos – corpo resgatado na terça-feira, 24.
  • Anísio Padilha Soares, 43 anos – corpo resgatado na quarta-feira, 25.
  • Silvana dos Santos Rocha Soares, 53 anos – corpo resgatado na quarta-feira, 25.
  • Rosimarina da Silva Carvalho, 48 anos – corpo localizado na noite de quinta-feira, 26.
  • Elisangela Santos das Chagas, 50 anos – corpo localizado na noite de sexta-feira, 27.
  • Ailson Gomes Carneiro, 57 anos – corpo resgatado domingo, 29.
  • Beroaldo dos Santos, 51 anos – corpo resgatado nesta quarta-feira, 1º de janeiro.
  • Marçon Gley Ferreira, 43 anos – corpo resgatado na sexta-feira, 03
  • Alessandra do Socorro Ribeiro, 50 anos – corpo encontrado no sábado, 04.

Desaparecidos

  • Felipe Giuvannucci Ribeiro, 10 anos.
  • Gessimar Ferreira, 38 anos.
  • Salmon Alves Santos, 65 anos.

Mais informações sobre as buscas podem ser encontradas nessa matéria do Portal Norte.