Região Norte enfrenta escassez de exames de imagem, com Acre entre os estados mais afetados

Redação Portal Norte

A nova edição do Atlas da Radiologia no Brasil 2025 evidencia uma preocupante disparidade no acesso a exames de imagem na Região Norte, com o estado do Acre figurando entre os mais afetados pela desigualdade entre os sistemas público e privado.

Apesar do avanço no número total de procedimentos realizados pelo SUS nos últimos anos, o acesso permanece limitado, especialmente em regiões distantes dos grandes centros urbanos.

Enquanto a média nacional indica que o SUS realizou 60% dos exames de imagem em 2023, o estudo aponta que o volume por mil usuários ainda é significativamente menor do que o registrado na saúde suplementar.

No Norte, essa diferença é acentuada pela baixa densidade de equipamentos disponíveis no serviço público, dificultando o diagnóstico precoce de doenças e o acompanhamento clínico da população mais vulnerável.

No Acre, a situação é particularmente crítica: o estado conta com apenas 7 mamógrafos na rede pública, o que representa menos de um equipamento para cada 100 mil habitantes atendidos pelo SUS.

Na rede privada, o contraste é evidente, a densidade é de 35 mamógrafos por 100 mil usuários de planos de saúde, uma diferença que compromete seriamente a equidade no acesso ao exame fundamental para o rastreamento do câncer de mama.

A desigualdade se repete em outros exames de alta complexidade. A disponibilidade de ressonância magnética na rede pública do Acre é de apenas 0,60 aparelho por 100 mil pessoas, uma das menores taxas do país.

Espera por exames pode levar meses no interior

Como reflexo, o tempo de espera para exames pode se estender por meses, especialmente nas cidades do interior, onde a população depende do deslocamento até a capital para ser atendida.

O estudo também destaca que a Região Norte é a menos equipada do país em relação a três dos cinco principais tipos de exame analisados como raio-x, ultrassonografia e mamografia.

Isso se deve, em parte, à baixa concentração de profissionais especializados, às dificuldades logísticas e à fragilidade da infraestrutura hospitalar em municípios mais isolados.

Apesar de avanços pontuais, como o crescimento da densidade de exames de ressonância magnética no SUS entre 2014 e 2023, os dados do Atlas reforçam a urgência de políticas públicas voltadas à redução das desigualdades regionais.

Investimentos em equipamentos, capacitação de equipes e expansão da rede pública são fundamentais para garantir que estados como o Acre e demais unidades da Região Norte tenham acesso equitativo a diagnósticos por imagem e cuidados em saúde de qualidade.