Na madrugada de segunda-feira (28), uma operação de resgate coordenada pelo Comando Operacional Conjunto Catrimani II salvou a vida de uma mulher com malária cerebral em estado grave e de uma criança com desidratação severa na Terra Indígena Yanomami.
A ação ocorreu na região de Surucucu e mobilizou uma aeronave H-60 Black Hawk da Força Aérea Brasileira (FAB), equipada com Óculos de Visão Noturna (OVN).
Ao identificar a gravidade dos casos, a equipe do DSEI-Y acionou o resgate, e a FAB enviou uma equipe com médico, enfermeiro e militares de Busca e Salvamento.
Após três horas de voo, a equipe levou os pacientes à Base Aérea de Boa Vista. De lá, ambulâncias do Samu os transportaram ao HGR, onde seguem internados.
Liderança Yanomami critica demora e falta de critério do DSEI
Por outro lado, o presidente da Urihi Associação Yanomami Hekurari Yanomami relatou demora no atendimento e criticou a conduta do DSEI-Y.
Conforme exposto em suas redes sociais, a equipe médica de Surucucu solicitou o envio de aeronave já no último sábado (26), no final da tarde, para a remoção da criança em estado grave e o transporte da mulher com malária no domingo (27).
Entretanto, de acordo com Hekurari, o DSEI informou que não havia aeronaves disponíveis e que os casos não se enquadravam nos critérios de urgência.
Apenas durante a noite do dia 27, diante do agravamento da situação, lideranças acionaram a Casa de Governo e solicitaram diretamente apoio da FAB.
Em sequência, a FAB realizou o transporte às 00h55 da última segunda-feira (28).
Operação Catrimani II reforça presença do Estado na Terra Yanomami
Essa foi a 14ª evacuação aeromédica realizada pela FAB no contexto da Operação Catrimani II. Iniciada em 2024, a Operação reúne Forças Armadas, órgãos de segurança e agências federais no combate a crimes ambientais e garimpo ilegal na Terra Yanomami.
A ação também oferece apoio logístico e emergencial à população indígena, especialmente em áreas isoladas como Surucucu.
Porém apesar do resgate bem-sucedido, a divergência entre relatos oficiais e denúncias indígenas expõe falhas na coordenação entre os setores de saúde e segurança.