TDAH pode reduzir expectativa de vida em até nove anos, aponta estudo

Redação Portal Norte

Um estudo divulgado recentemente pelo British Journal of Psychiatry identificou uma associação preocupante entre o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e uma redução significativa na expectativa de vida de adultos diagnosticados com a condição.

A análise considerou dados de mais de 30 mil pacientes com TDAH no Reino Unido e comparou com um grupo controle de mais de 300 mil pessoas sem o transtorno, ajustados por critérios como idade, sexo e região de atendimento médico.

Diferença na expectativa de vida entre homens e mulheres com TDAH

Os resultados mostraram que homens com TDAH vivem, em média, 6,78 anos a menos do que aqueles sem diagnóstico (expectativa de vida de 73 anos contra 80).

mulheres com TDAH perdem cerca de 8,64 anos (vivendo, em média, até os 75 anos contra 84 no grupo controle).

A taxa de mortalidade também foi quase duas vezes maior entre os diagnosticados: homens com o transtorno apresentaram 1,89 vez mais chances de morrer prematuramente, enquanto para mulheres o risco foi 2,13 vezes maior.

Segundo os pesquisadores, o TDAH não reduz a longevidade de forma direta, mas influencia fortemente os comportamentos e decisões de vida que levam a doenças crônicas e riscos evitáveis.

Entre os fatores de risco, destacam-se:

  • O uso de cigarro,
  • Alimentação desequilibrada,
  • Padrões de sono inadequados,
  • Condutas impulsivas ao volante,
  • Baixo desempenho escolar,
  • Dificuldade em manter renda estável.

Riscos aumentados de doenças físicas e transtornos mentais

A epidemiologista Elizabeth O’Nions, principal autora do estudo, reforçou que o impacto do transtorno está frequentemente ligado a condições modificáveis, como comorbidades psiquiátricas, uso abusivo de substâncias e acesso precário a cuidados médicos, que acabam elevando as probabilidades de doenças cardiovasculares, câncer e até suicídio.

O neurologista Max Wiznitzer, da Case Western Reserve University, destacou que quando o TDAH não é tratado, os riscos aumentam significativamente.

Ele afirmou que há um risco aumentado para doenças como diabetes, problemas cardíacos e mortes decorrentes de acidentes ou suicídios.

A importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado

Os dados ainda revelam uma mortalidade proporcionalmente maior entre os diagnosticados com TDAH.

  • Entre os homens, 193 dos 23.377 pacientes com o transtorno (0,83%) faleceram durante o acompanhamento, contra 1.219 entre os 233.770 do grupo controle (0,52%).
  • Já entre as mulheres, 148 das 6.662 com TDAH (2,22%) morreram, frente a 902 das 66.620 sem o transtorno (1,35%).

Apesar de o estudo não detalhar as causas específicas das mortes, os autores sugerem que doenças mentais e físicas associadas, uso de álcool e drogas e barreiras no acesso ao sistema de saúde explicam parte da diferença.

Eles defendem que, com acompanhamento adequado e intervenções precoces, é possível reverter esse cenário e garantir mais qualidade e tempo de vida aos pacientes.

*Com informações de Viva Bem, Exame, Conselho Federal de Farmácia.