Sentir sono excessivo durante o dia, apresentar fadiga constante e sofrer com falta de foco são queixas comuns entre adultos. Muitas vezes, esses sintomas são atribuídos ao estresse ou à rotina intensa.
No entanto, um dos responsáveis mais subestimados pode estar justamente durante o momento que deveria ser de descanso: o ronco noturno.
Embora muita gente considere esse barulho um incômodo inofensivo, o ronco pode ser um sinal claro de distúrbios respiratórios do sono, como a apneia obstrutiva do sono, uma condição grave que afeta diretamente o coração, os vasos sanguíneos e a saúde como um todo.
O que provoca o ronco e por que ele acontece?
O ronco surge quando o ar tem dificuldade para passar pelas vias respiratórias superiores, fazendo com que os tecidos moles da garganta vibrem.
A principal área afetada costuma ser o palato mole (parte posterior do céu da boca) e a úvula (aquela estrutura em formato de gota). Essa vibração é o som que ouvimos quando alguém ronca.
O estreitamento das vias aéreas pode ocorrer por vários motivos, entre eles:
- Obstrução nasal
- Excesso de peso
- Flacidez muscular na garganta
- Desvio de septo
- Amígdalas aumentadas
- Avanço da idade
- Consumo de álcool ou medicamentos sedativos
- Tabagismo
Quando o ronco indica algo mais sério: apneia do sono
Em muitos casos, o ronco não é apenas um ruído incômodo, mas sim um sintoma de apneia obstrutiva do sono (SAOS). Essa condição é caracterizada por pausas repetidas na respiração durante o sono, causadas pelo colapso parcial ou total das vias aéreas.
As consequências são graves: durante as apneias, o corpo sofre com a queda da oxigenação no sangue, o que ativa respostas de emergência como aumento da frequência cardíaca, da pressão arterial e liberação de adrenalina.
Essas alterações ocorrem repetidamente ao longo da noite, colocando o organismo sob estresse contínuo — como se estivesse em uma maratona enquanto deveria estar descansando.
Estudos associam a apneia não tratada a hipertensão, infarto do miocárdio, AVC e até morte súbita, especialmente em pessoas que já possuem doenças cardiovasculares.

Como tratar o ronco e a apneia do sono?
O tratamento vai depender da gravidade do quadro, avaliada por meio de exames como a polissonografia. Entre os principais métodos estão:
Mudanças de hábito:
- Evitar álcool e sedativos antes de dormir
- Reduzir o peso corporal
- Dormir de lado e com a cabeça levemente elevada
- Abandonar o cigarro
Tratamentos não invasivos:
- Aparelhos intraorais para manter as vias aéreas abertas
- Fonoaudiologia para fortalecer a musculatura da garganta
- Indicado em casos leves a moderados
Terapia com CPAP:
Para casos moderados a graves, o CPAP (pressão positiva contínua nas vias aéreas) é o tratamento padrão. O aparelho envia um fluxo constante de ar que evita o colapso da garganta, mantendo a respiração estável durante toda a noite.
Cirurgias:
Consideradas opções de exceção, as intervenções cirúrgicas só são recomendadas em situações específicas, quando outros tratamentos não oferecem os resultados esperados.
Mais do que um barulho incômodo, o ronco pode representar um alerta importante do corpo. Identificar suas causas e buscar tratamento adequado é essencial para preservar a saúde física e mental, além de evitar complicações cardiovasculares sérias.
Esta matéria é um conteúdo informativo e não pode substituir uma consulta médica.
*Com informações de Drauzio Varella, Viva Bem, Biblioteca Virtual em Saúde, SBPT.