Estado é condenado por assédio moral contra policial penal no CPP

Redação Portal Norte

O Juizado Especial da Fazenda Pública de Boa Vista condenou o Estado de Roraima a pagar R$ 7 mil a uma policial penal que denunciou assédio moral no Centro de Progressão Penitenciária (CPP).

A decisão concluiu que um gestor, que dirigiu a unidade por breve período, praticou condutas abusivas de forma recorrente.

O magistrado apontou que a servidora apresentou boletim de ocorrência, laudos médicos e documentos que indicavam um ambiente de trabalho considerado “adoecedor”.

Além disso, ele também destacou que já havia uma decisão anterior determinando o afastamento do diretor denunciado.

Como a responsabilidade do Estado é objetiva, bastou comprovar o dano e o nexo entre a conduta do agente e o sofrimento causado.

Para o juiz, ficou claro que o ambiente hostil agravou o estado emocional da servidora, que estava em tratamento oncológico.

Relatos apontam clima hostil e práticas abusivas

As testemunhas confirmaram que o clima organizacional piorou durante a gestão do diretor. Elas relataram sarcasmo, deboche, cobranças desproporcionais e comentários depreciativos direcionados especialmente às mulheres da equipe.

Diante desse cenário, aumentou o número de atestados psiquiátricos apresentados por servidoras, o que reforçou a suspeita de assédio moral sistemático.

Denúncias começaram em 2024

As primeiras denúncias surgiram em 2024, quando policiais penais procuraram o sindicato para relatar humilhações, perseguições e sinais de adoecimento psicológico.

Em resumo, há registros de crises de ansiedade, quadros depressivos e até agravamento de problemas físicos associados ao estresse laboral.

Portanto, esses relatos foram utilizados no processo para demonstrar que o ambiente da unidade facilitava a ocorrência de práticas abusivas.

Sejuc afirma que abriu investigação interna

Em nota, a Secretaria da Justiça e da Cidadania (Sejuc) informou que instaurou uma Sindicância Investigativa para apurar as condutas atribuídas ao servidor.

A pasta afirmou que o procedimento resultou na abertura de um Processo Administrativo Disciplinar, atualmente em fase de instrução.