A Polícia Civil prendeu na quinta-feira (14) o tenente da Polícia Militar de Roraima (PMRR), Hildegardo Freitas da Silva, de 50 anos, por manter a ex-mulher com Alzheimer em cárcere privado e maltratar mais de 60 animais no Distrito Industrial de Boa Vista.
A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) e o Núcleo de Inteligência (NI) da PCRR conduziram a ação sob a coordenação da delegada Clarissa Pinheiro, após meses de investigação.
Familiares denunciavam o desaparecimento da vítima há quatro meses e relatavam que o policial a mantinha isolada e sem cuidados básicos.
Localização e prisão
Com informações do NI, equipes identificaram o possível paradeiro do suspeito em um sítio. No local, a PCRR encontrou cães e gatos debilitados, magros, feridos e vivendo em condições insalubres. A perícia do Instituto de Criminalística Perito Dimas Almeida confirmou a presença de 60 animais.
O militar fez contato com a polícia, se apresentou no escritório de seu advogado, no bairro Cauamé, e entregou a vítima.
Ela estava com hematomas, sinais de desnutrição e extrema fragilidade física e emocional. O suspeito alegou que os ferimentos eram decorrentes de quedas e afirmou que sempre a alimentou.
Vítima acolhida e animais sob cuidados
A Casa da Mulher Brasileira acolheu a advogada, ofereceu atendimento psicossocial e, posteriormente, a amigas próximas que lhe forneceram moradia temporária.
Enquanto isso, os animais permaneceram na propriedade, recebendo alimentação e tratamento por voluntários, com apoio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMA), que multou o policial.
Reincidência e outros crimes
Em agosto de 2024, a polícia prendeu o oficial por maus-tratos a cachorros no bairro Caranã, mas ele resistiu e iniciou uma confusão com os policiais.
Além disso, ele também responde a um mandado de prisão preventiva por cárcere privado contra a mesma ex-mulher, válido até 2028.
Posição da Polícia Militar
A PMRR informou que a Corregedoria-Geral acompanha o caso e adotará as medidas cabíveis conforme a legislação militar. O tenente está detido no Comando de Policiamento da Capital, à disposição da Justiça.
Portanto, o caso segue em investigação pela DEAM e PCRR, que apura crimes de cárcere privado, maus-tratos e violência doméstica.