Mulher de 30 anos matou o marido a facadas após ser agredida dentro de casa na noite de domingo (13), na zona rural de Alto Alegre, no Norte de Roraima. A vítima foi identificada como Virlandi Macena de Oliveira, de 29 anos.
Segundo a Polícia Militar de Roraima (PMRR), o caso ocorreu em um contexto de violência doméstica recorrente e foi registrado como homicídio privilegiado, com indícios de legítima defesa.
De acordo com informações da PMRR, a mulher agiu para se proteger e proteger os filhos durante mais um episódio de agressão.
A própria mãe da suspeita, uma agricultora de 52 anos, que estava presente no momento do crime, confirmou à polícia que a filha reagiu para evitar mais violência dentro do lar.
Histórico de violência e tentativa de socorro
Conforme a PMRR, já havia registros anteriores de violência doméstica envolvendo o casal, todos com Virlandi apontado como agressor. Na noite do crime, ele iniciou mais uma agressão, e a esposa o atingiu com uma faca de mesa.
Mesmo ferido, o cunhado de Virlandi o socorreu e o levou ao Hospital Geral de Roraima (HGR), em Boa Vista. No entanto, ele já chegou à unidade sem sinais vitais.
Três filhos presenciaram o crime
O casal tinha cinco filhos, com idades entre 1 e 9 anos. Três das crianças, incluindo um bebê de 1 ano, presenciaram a cena.
Dois dos filhos eram biológicos de Virlandi, enquanto os outros três eram enteados. Após o crime, as autoridades acionaram o Conselho Tutelar de Alto Alegre, que deixou as crianças sob os cuidados da avó materna.
A mulher apresentava escoriações leves no braço e, segundo os policiais, não resistiu à abordagem. Os policiais apreenderam a faca usada no crime e levaram a mulher à delegacia para prestar depoimento.
Defesa afirma que mulher agiu para proteger a própria vida
O advogado de defesa da mulher afirmou que a cliente está amparada pelo Código Penal, especificamente pelo instituto da legítima defesa. Segundo ele, foi possível comprovar à autoridade policial que a mulher reagiu em um contexto de risco real e iminente.
“Foi uma situação em que ela está amparada por um dos institutos do nosso Código Penal, que se chama legítima defesa. Os depoimentos foram uníssonos, bem coerentes e coesos, e o delegado entendeu que ela agiu em legítima defesa, liberando-a da delegacia”, relatou o advogado.
O advogado também mencionou que, em 2003, Virlandi perseguiu a mulher e o filho de dois anos, também seu filho, com uma faca.
“Ela teve que entrar numa distribuidora, em Vila Recrear, para se proteger. Já havia histórico de agressões, ameaças frequentes e até comportamento intimidador, como acordar à noite e encontrá-lo sentado, apenas observando-a. Isso gerou medo constante nela.”
Caso segue sob investigação
A Polícia Civil de Roraima segue investigando o caso para apurar as circunstâncias completas do crime. A classificação como homicídio privilegiado pode influenciar na condução do processo, uma vez que considera o histórico de violência e a motivação em legítima defesa.
A situação reacende o alerta porque casos de violência doméstica em áreas rurais enfrentam acesso ainda mais limitado a apoio e proteção.