A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu, na tarde de segunda-feira (23), 620 kg de cassiterita, conhecida como “ouro negro”, em um depósito ilegal no bairro Cidade Satélite, zona Oeste de Boa Vista.
A ação contou com o apoio da Força Nacional e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Os agentes prenderam dois homens e apreenderam um veículo.
Operação apreende ‘ouro negro’ em Boa Vista
Essa apreensão faz parte da Operação Omawe, que tem como objetivo retirar garimpeiros das Terras Indígenas em Roraima.
A operação, coordenada pela Casa de Governo, também age fora dessas áreas para enfraquecer o transporte, o armazenamento e o fornecimento de materiais usados no garimpo ilegal.

Em maio deste ano, policiais do Amazonas foram presos, suspeitos de sequestrar e torturar um homem em uma disputa por “ouro negro” em Roraima.
O que é a cassiterita e por que desperta interesse em garimpeiros de Roraima?
Além do ouro, a cassiterita — conhecida como “ouro negro” — virou alvo do garimpo ilegal em Roraima, especialmente na Terra Yanomami.
Usada em ligas metálicas e até em telas de celulares, ela atrai interesse por ser densa, valiosa e mais fácil de extrair que o ouro.
Em 2023, a Polícia Federal desmontou um esquema de exploração ilegal do minério na região.

A operação envolveu empresários, garimpeiros e até o cantor Alexandre Pires, acusado de receber R$ 1 milhão de uma mineradora investigada. No entanto, o artista nega envolvimento.
Garimpeiros encontram a cassiterita em forma de rocha e a trituram até virar pó. Posteriormente, vendem o material concentrado ou o refinam para obter estanho, um metal nobre de alto valor de mercado.
O minério atrai ainda mais interesse em Roraima por conter maior teor de estanho do que em outros estados.
Por fim, somente em fevereiro de 2023, PRF e Ibama apreenderam mais de seis toneladas de cassiterita no estado, parte em Boa Vista e parte dentro da Terra Yanomami.