A Polícia Civil de Roraima (PC-RR) encerrou oficialmente as investigações no cemitério clandestino, entre os bairros Pricumã e Cinturão Verde, nesta quinta-feira (23), após localizar nove corpos.
A operação, que teve início na última segunda-feira (20), seguiu um trabalho integrado entre diversos órgãos de segurança. Agora, as investigações seguem em duas frentes.
A Delegacia-Geral de Homicídios (DGH) continua apurando as circunstâncias dos homicídios e a identificação das vítimas, enquanto a Delegacia de Repressão a Ações Criminosas Organizadas (DRACO) investiga possíveis conexões com organizações criminosas.
Segundo o delegado da DGH, Luís Fernando, a operação resultou na prisão de dois venezuelanos, um de 27 e outro de 29 anos, acusados de ocultação de cadáver e associação criminosa. Assim, a Justiça os apresentou em audiência de custódia e converteu a prisão em preventiva.
O delegado Wesley Costa de Oliveira, da DRACO, informou que a equipe está investigando as conexões dos suspeitos com grupos criminosos e realizando análises de inteligência.
Até o momento, a polícia não identificou nenhuma das vítimas. Eles encontraram os corpos em diferentes estados de decomposição, o que dificultou o processo de identificação.
A PC-RR solicitou que famílias de pessoas desaparecidas procurem o IML, levando documentos pessoais, exames odontológicos ou outros materiais que possam auxiliar na identificação.
Relembre caso do ‘cemitério clandestino’
A PM-RR abordou um homem de 29 anos, olheiro da facção venezuelana “Trem de Arágua”, que estava fugindo no bairro Pricumã, e, após a abordagem, encontrou os primeiros corpos na última segunda-feira (20).
Ele relatou que estava sendo perseguido por membros da facção, que sequestraram sua família e o ameaçavam de morte.
Além disso, o suspeito ajudou a PC-RR a localizar os corpos, denunciando dois membros da facção responsáveis pelos homicídios.
O terreno estava sendo usado como cemitério para adversários.
Por fim, na última quarta-feira (22), as autoridades encontraram mais quatro corpos, totalizando nove cadáveres. Para acessar os corpos, foi necessário o uso de máquinas de escavação e auxílio de cães farejadores.