O trabalho escravo moderno ainda é uma realidade dolorosa na região Norte do país. Em Rondônia e Acre, mais de 1,2 mil trabalhadores foram resgatados nos últimos anos de condições degradantes, segundo dados oficiais.
Levantamento do Observatório da Erradicação do Trabalho Escravo e do Tráfico de Pessoas revela que, entre 1995 e 2023, 1.236 pessoas foram retiradas de situações de exploração. Em Rondônia, foram 973 resgates, com destaque para Porto Velho, que concentra o maior número de ocorrências na última década. Já no Acre, 263 trabalhadores conseguiram se libertar, principalmente nos municípios de Tarauacá e Rio Branco.
Embora muitas vezes invisível, a prática do trabalho escravo moderno persiste na Amazônia. Homens e mulheres em busca de sustento acabam submetidos a jornadas exaustivas, em locais sem condições mínimas de higiene e com a liberdade restrita.
Para enfrentar essa realidade, a Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (Conaete) atua de forma integrada nos estados da região, promovendo fiscalizações, campanhas educativas e ações preventivas.
Além disso, o Ministério Público do Trabalho (MPT) tem buscado parcerias para garantir oportunidades de reinserção social, evitando que trabalhadores resgatados voltem a ser vítimas da exploração. Entre os instrumentos de apoio está o Smartlab, sistema que disponibiliza dados abertos à população e permite acompanhar indicadores, além de incentivar denúncias de casos suspeitos.
Os números revelam que, apesar das conquistas no combate à exploração, ainda há um longo caminho para erradicar definitivamente o trabalho escravo contemporâneo na região amazônica.
Confira a reportagem: