O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, neste sábado (20), que a ampliação da presença militar dos Estados Unidos nas proximidades da Venezuela gera instabilidade na América do Sul. A declaração foi feita durante a abertura da 67ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, realizada em Foz do Iguaçu, no Paraná.
Segundo Lula, ações de potências externas voltam a provocar tensão no continente e colocam à prova os princípios do direito internacional.
Presidente alerta para consequências humanitárias
Ao comentar a possibilidade de uma ação armada contra a Venezuela, Lula foi enfático ao classificar o cenário como extremamente grave. Para ele, um conflito militar teria impactos humanitários severos e abriria um precedente perigoso no cenário global.
O presidente destacou que a América do Sul já enfrentou episódios traumáticos no passado e não pode voltar a ser palco de disputas geopolíticas envolvendo países de fora da região.
Contexto envolve pressão dos EUA sobre o governo Maduro
Embora não tenha citado diretamente os Estados Unidos, o discurso faz referência às recentes movimentações do governo norte-americano contra o regime de Nicolás Maduro. Desde agosto, Washington intensificou operações militares na América Latina sob o argumento de combate ao narcotráfico.
As ações incluem o envio de navios de guerra ao Caribe e operações contra embarcações suspeitas, o que elevou o nível de alerta entre países sul-americanos.
Lula defende diálogo e mediação diplomática
O presidente brasileiro voltou a defender a diplomacia como caminho para evitar uma escalada do conflito. No início de dezembro, Lula conversou por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e colocou o Brasil à disposição para contribuir com uma solução negociada.
Além disso, Lula também manteve contato com Nicolás Maduro, reforçando a posição brasileira de incentivar o diálogo entre as partes envolvidas.
Brasil busca papel de equilíbrio na região
De acordo com o chefe do Executivo, o país tem adotado uma postura de mediação e paciência nas relações internacionais, especialmente em crises que envolvem países vizinhos. Para Lula, a disposição para conversar é essencial para evitar confrontos e preservar a estabilidade regional.