Durante a sessão plenária desta segunda-feira (3), na Câmara Municipal de Manaus (CMM), vereadores do PL e do PT travaram um debate sobre os impactos da megaoperação policial realizada no Rio de Janeiro e sua repercussão no combate ao crime organizado no Amazonas.
A discussão ocorreu após a divulgação de que nove pessoas naturais do Amazonas estão entre os mortos da operação fluminense, considerada a mais letal da história do país, com 121 mortos — incluindo 117 suspeitos e quatro agentes de segurança.
O vereador Capitão Carpê (PL) afirmou que muitos dos criminosos mortos no Rio de Janeiro mantinham atuação direta em Manaus, dando ordens para homicídios e tráfico de drogas na capital amazonense, mesmo à distância.
“Nove bandidos abatidos eram do Amazonas, mas davam comando de homicídios e tráfico dentro de Manaus. A operação do Rio foi essencial para o nosso estado”, declarou o parlamentar.
Carpê também criticou as restrições legais, como a ADPF das Favelas, que, segundo ele, limitam o enfrentamento ao crime em determinadas áreas do país.
O vereador defendeu ainda maior integração entre os estados e as forças de segurança, ressaltando a importância da inteligência policial e do planejamento conjunto nas operações contra facções criminosas.
Zé Ricardo cobra planejamento e critica desorganização do Estado
Em contraponto, o vereador Zé Ricardo (PT) destacou que, embora a repressão ao crime seja necessária, é preciso cuidado para evitar mortes de inocentes.
Ele relembrou que a operação fluminense resultou na morte de quatro policiais e mais de cem pessoas, e criticou o que chamou de falta de planejamento e uso ineficiente de recursos públicos.
“O crime está cada dia mais organizado e o Estado, desorganizado. Precisamos enfrentar com rigor, mas sempre com planejamento e inteligência”, afirmou o parlamentar.
Zé Ricardo também defendeu o fortalecimento de políticas sociais e de segurança preventiva, para que o enfrentamento ao crime ocorra de forma equilibrada e estruturada.
A operação policial no Rio de Janeiro, realizada no final de outubro, tem gerado ampla repercussão nacional.
No Amazonas, o tema passou a integrar o debate político local, especialmente após a confirmação de que nove amazonenses estavam entre os mortos.
O episódio reacendeu discussões sobre cooperação interestadual, segurança pública e direitos humanos, e deve continuar em pauta nas próximas sessões da Câmara Municipal de Manaus.
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